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A série sul-coreana "ROUND 6" da Netflix, uma grata surpresa?

Qual o limite que uma pessoa comum como você e eu aguenta? Dividas, falta de dinheiro, pressão social e familiar, qual deles fará alguém cair e não se levar mais? É com este questionamento chegamos na nova série do canal das redes sociais, “Round 6”. Criada e dirigida pelo sul-coreano Hwang Dong-hyuk, que se inspirou nos jogos que brincavam quando erámos crianças. Aproveitando o desespero das pessoas onde reúne 456 indivíduos para jogarem entre si e quem sobreviver ganha uma bolada com valor em torno dos 39 milhões de dólares.

Chamado “Jogo da Lula”, eles precisam relembrar o que brincavam na infância e se garantirem na grande final. Um misto de “Big Brother” com a sádica franquia “Jogos Mortais”. O primeiro episódio “Batatinha Frita 1, 2, 3”, onde eles encaram uma boneca gigante e após ela fazer a contagem regressiva, devem ficar imóveis. Caso mexam um musculo, são abatidos por ela. Quem conseguir chegar até a boneca, ganha o jogo e sobrevida para o próximo.

 

Assim conhecemos o abestalhado Gi-Hun (Jung-jae Lee), divorciado e com uma filha de dez anos, vive com a mãe e sendo sustentado por ela. Perdeu tudo e o pouco que ganha, usa em jogos de azar. Até que surge a oportunidade de virar o jogo. É abordado por um estranho (Gong Yoo) que lhe oferece uma chance de ganhar muito dinheiro e se estabilizar financeiramente. Aceita de bate e pronto. Para pouco depois, desperta em um salão repleto de pessoas como ele.

Em meio a elas, surge seu amigo de infância e bairro Sang-Woo (Park Hae-soo). Considerado por todos como alguém que seria bem-sucedido na vida. O que se descobre é o contrário no decorrer do seriado. Endividado e procurado pela polícia, sua maior preocupação é que a mãe descubra a verdade dos fatos. Pois ela sente muito orgulho do filho e acredita que é um executivo de sucesso. Vemos a jovem imigrante ilegal Sae-Byeok (Jung Ho-yeon). Uma norte-coreana que busca sustentar o irmão mais novo e trazer sua mãe presa em seu país. Ela vê o bandido Deok-Su (Heo Sung-tae), com quem possui uma rixa pessoal. 


Somada a presença do velhinho O II-nam (O Yeong-su), que possui um tumor cancerígeno no celebro e o jovem paquistanês Abdu Ali (Anupam Tripathi). Eles acabam formando uma aliança forçada para seguirem no jogo. Em determinado momento, eles resolvem deixar o jogo. Conforme uma regra que diz onde a maioria decide faze-lo, isso deve ser respeitado. De volta à realidade, Gi resolve fazer uma queixa. Já que testemunhou muitas mortes. É desacreditado pelos policiais, que acham está de ressaca. Mesmo com a prova que trouxe, o convite para o jogo com um número de telefone. O único que acredita nele é o jovem policial Hwang Jun-ho (Wi Han-joon). Ele está em busca do seu irmão in-ho (Lee Byung-hun) dado como desaparecido. 


Daí temos a mote para a série “Round 6”. Onde cativa seu espectador pelas situações extremas vividas pelos personagens. O que pode e/ou poderia acontecer comigo ou até mesmo com você está lendo esta resenha neste exato momento. Fora que as pessoas têm um certo atrativo pela tragédia alheia. Uma situação de pobreza extrema ou sofrendo algum tipo de violência e psicológica. Um dos maiores é a franquia “Jogos Vorazes”, com a população dos distintos vendo e torcendo por seus campeões. Em duelos que custam a vida dos mesmos.

Aqui temos uma situação semelhante, como um reflexo ao nosso cotidiano. Deixando de lado a atual pandemia da Covid 19, a humanidade presa às redes sociais e deixando a convivência familiar e amigos próximos. Somada a ganancia, o dia a dia agitado e o distanciamento que ocorre naturalmente, faz que percamos aquele sentimento de família que tínhamos quando crianças. Muito bem exemplificado na última prova disputada por Gi e Sang, com o segundo lembrando da infância. Após as brincadeiras eram chamados pelas mães para jantar. E hoje em dia, ninguém mais nos chamam nem para “tomar um café”, por exemplo. Apenas cobranças sejam pessoais e/ou profissionais.




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