O grupo australiano AC/DC já se solidificou como um dos grandes nomes do mundo do rock’n’roll. Seja na fase com doido varrido Bon Scott até seu falecimento em 1980 pelos seus excessos com álcool ou com seu substituto, o britânico Brian Johnson. Com quem viveu seu age com o mítico “Back in Black (1980)”, primeiro disco com Brian e uma homenagem póstumo à Bon. Como não poderia ser diferente em uma banda de hard rock o destaque fica para a guitarra.
Contando com o guitar hero Angus Young e seu irmão Malcolm na guitarra base, onde formaram o duo perfeito do instrumento. Seguiram gravando grandes trabalhos como “For Those About to Rock (1982)”, “The Razor’s Edge (1990)” e “Ballbreaker (1994)”. Onde tivemos a vinda do grupo à nossa terra tupiniquim na primeira edição do Rock in Rio em 1985. Dez anos depois com a turnê “Ballbreaker” e em 2009 divulgando o álbum “Black Ice”.
Após um hiato de seis anos, lançam “Rock or Bust” em 2014. Mais um ótimo trabalho, envolto com várias variáveis. O afastamento de Malcolm antes das gravações por estar sofrendo de demência (vindo a falecer em 2017) e os problemas jurídicos do batera Phil Rudd. Ele foi processado e mais tarde comprovado, tentativa de assassinato e porte ilegal de drogas. Foi condenado a oito meses de prisão domiciliar.
Junto a isso, Brian foi diagnosticado com problemas na audição e se continuasse fazendo shows poderia perde-la. Participando das primeiras apresentações e sendo substituído para o restante da turnê pelo vocalista do Guns N’Roses, Axl Rose. Assim deixou a banda para cuidar da saúde. No lugar de Phil para os shows foi chamado um velho conhecido dos fans, Chris Slade. Que tocou no grupo de 1990 a 1993. Já no lugar de Malcolm tivemos seu sobrinho Stevie Young.
E o baixista Cliff Williams anunciando que ao final da turnê, iria se aposentar. Quando parecia ser o fim de uma era, viu-se um movimento nos Warehouse Studios no Canada nos meses de agosto e setembro de 2018. Local onde o AC/DC normalmente prepara e grava seus discos. Como os últimos “Stiff Upper Lip (2000)”, “Black Ice” e “Rock or Bust”.
Rumores se tornaram verdades quando viram um sorridente Brian Johnson saindo de lá, anunciando que ele e Angus estavam compondo material para um novo álbum. Contando com os retornos de Phil e Cliff. Tudo mediado por Stevie. Ai surge “Power Up (2020)”, mais um petardo AC/DC para alegria dos fãs mais fervorosos. E nas palavras de Angus para a revista Rolling Stone: “Este álbum é basicamente dedicado a Malcolm, meu irmão. É uma homenagem a ele como 'Back in Black’ foi uma homenagem a Bon Scott”.
Aproveitou
para relembrar de uma brincadeira sobre músicos que gravam mesmo disco que
apenas mudam o nome: “Falam que gravamos
o mesmo álbum 11 vezes, mas é mentira: já foram 12 vezes”, ele disse isso
em 1984. Completou que boa parte dos riffs de “Power Up” foi composta
ainda com Malcolm na ativa, quando estavam produzindo “Black Ice”. E que foram guardadas para serem aproveitadas no
futuro. O que ocorre agora, as gravações foram encerradas em 2019 e a previsão
era lançar “Power Up” no início de 2020. Mas com a pandemia do novo
coronavírus, acabou sendo adiado para o mês de novembro deste ano.
Produzido mais uma vez por Brendan O’Brien, que comandou a mesa de som em “Black Ice” e “Rock or Bust”. Para nos trazer a arrasa-quarteirão “Realize” para abrir os trabalhos literalmente “quebrando tudo”. Seguida do blues rock “Rejection” e a pulsante “Shot in the Dark”. Sendo o primeiro single do álbum e mostrando que a banda não perdeu a pegada rock’n’roll característica.
Em “Through The Mist of Time”, a letra é uma volta no tempo. Nas palavras de Angus à Rolling Stone, a história do AC/DC. Junto a isso, Brian disse que se sentiu arrepiado ao canta-la, pois Malcolm lhe vinha em seus pensamentos, em entrevista para Folha de São Paulo. De ritmo mais cadenciado, com um riff marcante. “Kick You When You’re Down”, o hard rock da fase anos 90 simbolizada em “The Razor’s Edge (1990)” está de volta. “Witch’s Spell”, rock’n’roll padrão AC/DC. “Demon Fire”, blues rock pulsante.
“Wild
Reputation”, com o contrabaixo de Cliff em destaque. “No
Man’s Land”, pode ser definido com um blues do velho Mississipi do
jeito que só o AC/DC poderia compor. “Systems Down”, “Money Shot” e “Code
Red” encerram os trabalhos, exibindo que Angus, Brian, Cliff, Phil & Stevie possuem muita lenha para queimar e que não é preciso
muito para fazer um disco com a mais pura essência e de qualidade rock’n’roll de verdade.
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