Aconteceu na noite da última quarta-feira (12 de março de 2014) o lançamento do livro “Ghost Rider: A Estrada da Cura (Ghost Rider: Travels on a Healing Road, 2002)” escrito pelo baterista e letrista do power trio Rush, Neil Peart. O evento ocorreu na Fnac Paulista (Avenida Paulista, 901) com participação do presidente do Fã clube Rush Brasil Vágner Cruz, a tradutora do livro Candice Soldatelli, o escritor e editor da revista rock Poeira Zine Bento Araújo e o grande apresentador do programa de rádio Backstage Vitão Bonesso. No evento, estava ao lado do meu velho amigo e mestre jedi Adriano Ticiano. “Ghost Rider” foi trazido pela editora gaúcha Belas-Letras, que adquiriu os direitos da obra no ano passado junto a canadense ECW Press.
O livro foi lançado em 2002, onde mostra o diário do icônico baterista em uma viagem de moto pelo Canadá passando pelos Estados Unidos e América Central. Isso aconteceu no final dos anos 90, num momento delicado na vida de Peart. Em 1997, ele perdeu a filha Selena em um acidente automobilístico e no ano seguinte, sua esposa Jackie faleceu de câncer. Em meio ao debate, tivemos o pocket show da banda tributo Rush Project que deliciou os presentes com clássicos do trio. Abrindo a apresentação com um medley de canções do começo de carreira do Rush chamado “R30 Overture” seguido do clássico “Tom Sawyer (Moving Pictures, 1981)” e, a canção que dá título ao livro, “Ghost Rider (Vapor Trails, 2002)”. Voltando ao livro, relato das aventuras de Neil em sua viagem. O autodescobrimento e o luto para superar suas perdas na época.
O mais que chama a atenção é a franqueza e sinceridade nas suas palavras ao descrever o que acontece ao seu redor. Ao se deparar com situações extremas no seu caminho bem como encontros com velhos amigos e conhecendo pessoas inusitadas. Neil Peart sempre foi e é conhecido pela sua discrição e isolamento dos fãs. Dando uma aparente arrogância, o que na verdade é apenas um modo de se proteger e manter sua vida pessoal fora dos spots da imprensa. Nos depoimentos, a tradutora Candice Soldatelli revelou a emoção ao trocar e-mails com Neil, que se mostrou bastante solícito para auxilia-la no que for preciso. E no seu trabalho de pesquisa, ao relatar como foi montar em um moto como a utilizada por ele, a BMW R1 100 GS. Para ter a mesma sensação que Peart descrita em uma parte do livro. Foi um debate bastante descontraído e bem mediado por Bento Araújo e a troca de experiências de Vitão Bonesso e Vágner Cruz falando sobre o Rush.
O público presente acompanhou atento o bate-papo fazendo perguntas a eles, desde como foi fazer a tradução (Candice) até aos melhores álbuns do grupo para cada um deles. O evento foi encerrado pelo Rush Project com as canções “Subdivisions (Signals, 1982)”, “YYZ (Moving Pictures, 1981)”, “The Pass (Presto, 1989)”, “The Spirit of the Radio (Permanent Waves, 1980)” e “Red Barchetta (Moving Pictures, 1981)”. "Ghost Rider" é não apenas um livro para fãs do Rush. É uma experiência de vida e poderia acontecer com qualquer pessoa (inclusive com este que vos escreve e/ou você que está lendo esta matéria). Neil escreve de uma forma tão clara e sincera sobre um período negro da sua vida e para supera-lo, fez algo que só ele poderia fazer para si. Pegar uma moto e sair sem destino para refletir como seguir em frente para respeitar o amor e a memória de sua esposa & filha falecidas.



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