Aos 88 anos de idade, o cineasta britânico Ridley Scott diz que não pensa em aposentadoria. Conhecido mundialmente pela franquia “Alien”. Ele nos proporcionou um olhar mais real sobre a exploração do espaço infinito. Vide “Alien: O 8º Passageiro” de 1979 e mais recentemente com “Alien Covenant” em 2017. Para saber mais no link: https://cyroay72.blogspot.com/2017/05/alien-covenant.html. Aventurou em outros gêneros como os históricos “Gladiador (2000)” e “Êxodo: Deuses e Reis (2014)”. Além de scifis como o filosófico “Blade Runner: O Caçador de Androides (1982)” e o bem-humorado “Perdido em Marte (2015)”. Este ultimo comentamos no link: https://cyroay72.blogspot.com/2015/10/matt-damon-esta-perdido-em-marte.html. Agora ele nos o pós apocalíptico “Ponto Sem Retorno (The Dog Stars, 2026)”. Baseado no best seller “Na Companhia de Estrelas (2012)” de Petter Heller, adaptado por Mark L. Smith.
Aqui temos o jovem Hig, vivido pelo galã do momento Jacob Elordi (o Nate de “Euphoria, 2019 a 2026”). Piloto e mecânico que vive ao lado do cão Jarper em um aeroporto abandonado em Erie (Colorado). Junto a eles, o marinheiro reformado Bangley, com o Thanos Josh Brolin no papel. Estamos em 2035, a raça humana foi quase dizimada por um vírus mortal. Semelhante ao coronavirus. De tempos em tempos, ele sobrevoa com seu bimotor, a região em busca de suprimentos, remédios e combustível. Durante as viagens, relembra um passado não tão distante. As memorias da esposa Melissa são recorrentes.
Ao mesmo tempo, auxilia uma espécie de sociedade mórmon. Liderada por Aaron (o Mago Supremo do UCM Benedict Wong). Sua rotina muda ao interceptar a mensagem vinda de um local chamado Grand Juction. Indicando vida inteligente em meio ao caos. Já que o mundo que conhecemos, sucumbiu. A racionalidade de outrora, deu lugar à insanidade. No caso, um grupo chamado “Ceifadores”. Que invadem terras de outros sobreviventes, para esgotarem seus recursos. Assim as pessoas atacam umas às outras. Às custas da própria sobrevivência. Durante o voo, seu bimotor sofre uma pane. Fazendo uma aterrisagem forçada.
Descobre que o terreno é parte da fazenda administrada por Pops (Guy Pearce de “O Brutalista, 2024”), um NAVY SEAL aposentado, e a filha Cima (Margaret Qualley de “A Substância, 2024”) que é médica e perdeu o marido na pandemia. Convivem pacificamente e o ajudam a reparar o bimotor. Até que são atacados pelos Ceifadores e vão em direção à Grand Junction. Conhecem Darlene (Allison Janney, Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Eu, Tonya (2017”). Hig e seus amigos descobrem do pior modo possível que a sociedade liderada por ela, não é o que aparenta. Assim temos a trama inicial de “Ponto Sem Retorno”.
Scott aproveita o tema, fazendo uso das referencias que vimos na serie “The Walking Dead” e seus spin-offs. Somada à um clima que remete à “Eu Sou Uma Lenda (2007)” com Will Smith. Na relação dele com a cachorra Marley. Refletindo na conexão entre Hig e Jasper. Os dois são pura sintonia. A maior ameaça não é uma horda zumbi ou pessoas que viraram selvagens, após infectadas por algo viral. É o próprio homem. Colocado muito além do seu limite físico e psicológico. Não há governos e nem líderes para nos orientar. Os sobreviventes são deixados a prova para conseguirem se manterem sãos e salvos. Jacob e Josh exibem os dois lados da balança. Enquanto o primeiro mantém a esperança em encontrar o que restou da humanidade. Já o segundo se adaptou à realidade vigente. Lutando com unhas e dentes para se manter vivo. Onde a loucura tomou o lugar da lucidez de antes. Ou uma reflexão do que estamos vivendo nos dias de hoje, uma sociedade cada vez mais doente e perdida dentro de si. Somada as lideranças utópicas, que só buscam prosperidade para si próprios.

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