O que acontece quando estamos no nosso limite físico e mental? Por exemplo, sua filha não está se alimentando direito, sendo necessário uma bolsa para poder sobreviver. Além de se cuidar e dar atenção para outras pessoas. No caso, ela é uma psicoterapeuta; somada a distância do marido, que trabalha fora do país. Sem contar os imprevistos, o apartamento que a família aluga, é inundado. Já que o vizinho do andar de cima, o cano da água estourou. Uma situação que pode levar qualquer um à loucura. É assim que conhecemos Linda, vivida por Rose Byrne (“Missão Madrinha de Casamento, 2011”).
Ela lidera o elenco do drama “Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria (If I Had Legs I’d Kick You, 2025)”. Escrito e dirigido por Mary Bronstein, ela nos leva ao caótico cotidiano de Linda. Desde o tratamento da filha (Delaney Quinn), que faz uso de uma bolsa para se alimentar. Ela precisa ganhar peso, para poder ingerir comida de verdade. E voltar a ter uma vida normal. Enquanto isso, tenta seguir trabalhando. Com o auxilio do colega de trabalho, vivido pelo apresentador Conan O’Brien, com quem divide o consultório. Entre um paciente e outro, se aconselha com ele. Ao mesmo tempo, tem que lidar com a reforma do apartamento. Por isso, vai com a filha para um motel local.
O que poderia ser uma situação estressante, se transforma no pior dos mundos para Linda. Cuidando da filha e se culpando por não conseguir ajuda-la. imaginando o que poderia fazer a respeito. Com o marido Charles (Christian Slater) ausente, os dois discutem pelo celular quase diariamente. Vivendo no motel, tenta comprar uma garrafa de vinho, sendo advertida pela recepcionista Diana (Ivy Wolk). Que não pode vender bebida alcoólica depois das duas da manhã. Linda praticamente surta, é socorrida pelo ajudante geral James, vivido pelo rapper ASAP Rocky. Este lhe oferece a garrafa de vinho. Assim somos apresentados ao dia a dia de Linda. Vai ao encontro de sua paciente Caroline (Danielle Macdonald). Esta é superprotetora com o filho recém-nascido.
Aconselhada por Linda, a se preocupar menos com saúde dele. O deixando no consultório dela. O que poderia estar ruim, não poderia pior. Bucando por ela, com os poucos contatos que possui. Literalmente uma mulher à beira de um ataque de nervos (parafraseando o cineasta espanhol Pedro Almodovar), Rose está perfeita no papel. Deixando bem claro, que está além dos seus limites físicos e psicológicos. Sem ninguém para ajuda-la em todos os sentidos. Sentindo-se perdida e desesperada para achar uma cura para a filha. É uma película que sentimos o desconforto da personagem. Praticamente se perdendo nos próprios pensamentos. A sanidade de outrora, dá lugar a um momento de loucura que Linda acredita ser a solução de seus problemas. Mas podem lhe trazer graves consequências para sua vida, como bem conhece.

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