O termo cinema de autor possui varias referencias. Mestres como Frederico Fellini, Michelangelo Antonioni, Ingmar Bergman se relacionam (in) diretamente com uma geração formada por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg. Atualmente temos uma nova formada por David Fincher, Quentin Tarantino e Christopher Nolan. Este último ganhou notoriedade com a trilogia do Cavaleiro das Trevas nos anos 2000. Comentamos no link: https://cyroay72.blogspot.com/2016/03/a-trilogia-do-cavaleiro-das-trevas.html. Além de trabalhos impactantes como “Amnésia (2000)”, “O Grande Truque (2006)”, “A Origem (2010)” e “Interestelar (2014)”. E levando para casa, o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor pela cinebiografia do criador da bomba atômica “Oppenheimer” em 2023. Para saber no link: https://cyroay72.blogspot.com/2023/07/cillian-murphy-e-oppenheimer-de.html
Agora ele retorna com seu projeto mais ambicioso, “A Odisséia (The Odyssey, 2026)”. Baseado no clássico da literatura de Homero, Nolan nos oferece sua visão sobre a obra. A jornada de Odysseus, vivido pelo Jason Bourne Matt Damon, para voltar à sua terra natal, Itaca. Além de rever a amada Penelope, vivida pela musa Anne Hathaway. Convocado por Agamemnon (Bennie Safdie) para participar da guerra contra Troia. Deixando Penelope, o filho recém nascido Telêmaco e seu reino à mercê de futuros pretendentes do seu reinado. Já que não tem previsão de quando retornará. Passado certo tempo, Telêmaco chega à idade adulta, com o Homem-Aranha Tom Holland no papel. Como o pai não foi dado como morto, ele não pode assumir o trono. É a brecha que Antínoo (o atual Batman Robert Pattinson) enxerga para ascender em lugar de Odyssseus.
Já nos campos de batalha, conquista a vitória contra Troia. Entre idas e vindas, vemos como Odysseus tenta voltar para casa e aos braços de Penelope. Assim temos a trama inicial de “A Odisséia”. Adaptada pelo próprio Nolan que nos leva a uma viagem espiritual e filosófico sobre o personagem. Entrelaçado com o cinema fantástico, trazendo a mitologia envolta no conto. Com a presença do ciclope Polyphemus (Bill Irwin) que o aprisiona e seu exército numa caverna. Além da bruxa Circe (Samantha Morton), que os transforma em porcos. Uma clara referência à natureza destrutiva do ser humano. E exibindo toda perspicácia de Odysseus para sair da situação extrema. Somado aos seus dilemas morais, já que se culpa pelas mortes na guerra.
Durante o período em que ficou afastado, a deusa Calypso (Charlize Theron), que o alimentava com a flor de Lotus. Onde ele esquece seu passado. Para mais tarde, relembra-lo, deixando sua alma ainda mais torturada pela culpa. Aqui vemos o surgimento do famoso “Cavalo de Troia”. Idealizado por ele e ao mesmo tempo, se questionando sobre a motivação para tal. Vitimando tantas pessoas em especial, seu protegido Sinon (Elliot Page). Indo literalmente ao inferno para falar com Tiresias (James Remar). Um profeta cego que lhe indica o caminho até Itaca. É alertado que sacrifícios serão necessários para isso acontecer.
Só que ele quer voltar com todos. Mais uma dor em seu coração e alma dilacerada. Por ser um conto milenar, houveram várias interpretações a respeito. Christopher opta por focar no homem Odysseus. Sua jornada em retornar para aqueles que fazem mais sentido à sua vida, a esposa Penelope e o filho Telêmaco. Com quem reencontra, é determinante para o tenso ato final. Completando o elenco John Leguizamo como conselheiro Eumaeus; o justiceiro Jon Bernthal é o rei de Esparta Menelaus; Lupita Nyong´o em papel dupla como as gêmeas Helena e Clytemnestra; e Zendaya faz a deusa Athena.

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