Os mistérios do espaço sempre aguçaram a curiosidade da humanidade. Será que realmente estamos sozinhos? No brilho das estrelas em nossa constelação podem esconder mais do que aparentam? Impulsionando uma das paixões do mago Steven Spielberg. Fascínio pela vida inteligente, fora do nosso planeta azul. Alguns dos seus filmes retratam isso. Como o impactante “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” de 1977. Para saber mais no link: https://cyroay72.blogspot.com/2016/11/contatos-imediatos-do-terceiro-grau-1977.html. Já em 1982 tivemos a aventura “E.T.: O Extraterrestre”, comentamos no link: https://cyroay72.blogspot.com/2012/06/et-o-extraterrestre-30-anos-de-um.html. Após ganhar o Oscar como Melhor Diretor em “A Lista de Schindler (1993)” e “O Resgate do Soldado Ryan (1998)”, voltando a explorar o tema no filme catástrofe “Guerra dos Mundos”, em 2005. Discutimos no link: https://cyroay72.blogspot.com/2021/07/a-guerra-dos-mundos-2005-por-steven.html
Após a fase com películas sobre história nos EUA como “Lincoln (2012)” e “The Post: A Guerra Secreta (2017)”, Spielberg retoma o assunto em “Dia D (Disclosure Day, 2026)”. Num mundo cada vez mais conectado pelas redes sociais, as teorias de conspirações surgem mais rápidas que no piscar de olhos. Exemplificado com a eloquente sequência de abertura, onde o especialista em cibersegurança Daniel Kellner (Josh O’Connor, “Vivo ou Morto: A Knives Out Mystery, 2025”) está em fuga ao lado da namorada Jane (Eve Hewson. Sim, a filha do vocalista do U2, Bono). Ele trabalha para uma agencia não-governamental que tem provas de vida inteligente fora da Terra.
Além de evidencias que eles estão entre nós a mais de 79 anos. Contando com o auxílio de Hugo Wakefield, feito pelo eloquente Colman Domingo. Eles trabalhavam para Noah Scanlon, com o rei gago Colin Firth no papel. Este comanda a corporação Wardex com mão de ferro. Fazendo uso do que mais moderno em tecnologia para evitar o vazamento de dados sobre alienígenas. Em meio a isso, temos a jornalista Margaret Fairchild, interpretada por Emily Blunt (“O Diabo Veste Prada 2, 2026”). Durante sua participação no telejornal em que trabalha, para falar sobre o clima no país. Ela engasga, começa a falar uma língua que ninguém entende. Isso repercute mundialmente.
Ao mesmo tempo, ela sente que algo está por vir. Mais tarde, o destino faz com que os caminhos dela e o de Daniel se cruzam. De início, não se conhecem. A cada passo dado por eles, descobrem que possuem um passado em comum. Assim temos a trama inicial de “Dia D”. Spielberg, como todo grande cineasta, sabe passear no gênero scifi como poucos. A partir da história escrita por ele e lapidada pelo roteirista David Koepp. Este um parceiro de longa data, já trabalharam juntos na franquia “Jurassic Park”, “Guerra dos Mundos” e “Indiana Jones & O Reino da Caveira de Cristal (2008)”. Juntos aproveitam o clima tenso para nos levar a uma viagem cinematográfico. Só Steven é capaz de fazê-lo.
Envolver o espectador nesta verdadeira roda gigante. O fascínio e o medo por estar presenciando o desconhecido. Algo que o cineasta faz com maestria. Faz com que o público seja inserido como parte do conto. Apesar de Josh ser o fio condutor, quem faz os olhos de espectador é Emily. Ela sintetiza com perfeição: o espanto, a inquietação e apreensão por estar enfrentando algo que nunca se deparou na vida. Spielberg aproveita para mostrar como nossa sociedade está imersa na desinformação, a sensação de estar sendo vigiada e a perda da confiança nas instituições. Preferindo ficar restrita às suas bolhas sociais.
Deixa claro que a busca pela verdade deve ser feita com a clareza de pensamentos. Sem se influenciar por mentiras na internet. Checar sempre o que é colocado lá. “Dia D” é um espetáculo. A fotografia soturna de Janusz Kaminski, que faz uso de câmera 35mm aliado as digitais para efeitos de luz. A edição ágil de Sarah Broshar. Os efeitos especiais e sonoros (principalmente), somada a trilha musical do maestro John Williams. Em sua 30º colaboração com Steven, Williams deixa o espectador imerso ao filme. Acompanhando a jornada de seus personagens, pontuando musicalmente o que é vivenciado. O suspense, a ação, a aventura e o otimismo que só o mastro e o mago conseguem nos fazer sentir nas duas horas e vinte cinco minutos da película.

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