Num mundo cada vez conectado pelas redes sociais, ao lado da diversidade de gênero, o mundo ficou pequeno. O que pode nos unir, também nos separa. Em especial, a crescente onda conversadora que tem alcançado os quatro cantos do globo terrestre. Para muitos, é considerada uma política de extrema direita. Onde a mentira e um falso moralismo, são os modus operantes. Que infelizmente acarretam atos violentos. Mesmo num pais cosmopolita como a Inglaterra, isso ocorre. Sendo bem exemplificado com a minissérie “Tip Toe (2026)”. Criada por Russell T. Davies, que trabalhou no icônico seriado “Doctor Who” entre 2005 a 2010 e 2023 a 2025. Agora nos traz os vizinhos Leo Struthers, vivido por Alan Cumming (apresentador do reality show “The Traitors, desde 2023”), e Clive Gloss, com o Governador de “The Walking Dead” David Morrissey no papel.
Eles moram em Manchester. Apesar estarem próximos, nunca conversaram. Já que Leo é homossexual assumido e administrar um bar gay em Canal Street, o Split and Polish. Clive trabalha como eletricista, de forma independente. Às vezes seu filho mais velho Saul (Joseph Evans) o ajuda. Este guarda um segredo da família, tem uma plataforma no Only Fans. Se exibindo, oferecendo serviços sexuais. O mais novo, George (Jackson Connor) está se descobrindo, sente atraído por pessoas do mesmo sexo. Marie (Pooky Quesnel) é a esposa de Clive, que trabalha num restaurante local. Casados há mais de uma década, estão distantes. Dividindo o mesmo espaço físico, sem a intimidade de outrora.
A minissérie tem cinco episódios. Começando em formato de flashback, Leo e Clive finalmente interagem. Após uma noitada com desconhecido, este rouba seu notebook. Ao ir atrás dele, a porta se tranca. Do lado de fora, vai pedir auxilio para Clive. Mais de 14 anos os separam de um convívio. Mesmo aparentando ser uma pessoa serena, Clive é na verdade um homem preconceituoso. Cresceu no subúrbio de Manchester, cheio de magoa e rancor do que fez em vida até hoje. Somado ao vício em vídeos de crimes reais e teorias de conspiração. Mesmo assim, ajuda Leo e este lhe oferece um trabalho. O palco do bar está com problemas elétricos. Chegando lá Clive e Saul veem que toda rede precisa de manutenção. Acertam um valor e os dois começam o que pode indicar uma aproximação. Mas a homofobia de Clive fala mais alto.
Mantendo certa distância e a curiosidade para saber mais sobre a vida do vizinho. No caso, sua homossexualidade. Lhe pede a chave da sua casa, para Leo se precaver caso ocorra o mesmo incidente. O que eles não imaginavam que isso seria o começo da guerra entre ambos. George percebe uma oportunidade de se achar intimamente. Pega a chave e aproveita o que Leo tem de melhor na sua casa. Vinhos, comida e o espaço para fazer o que quiser. Em meio a isso, somos apresentados às suas personalidades. Leo é o homem gay engajado na causa LGBTQ+, vivendo a dor da separação de Curtis (Charlie Condou). Este retomou seu lado heterossexual. Já se casou com uma mulher, estão esperando o primeiro filho. Sem imaginar que George está frequentando sua casa, acredita estar delirando ao ver copos e pratos deixados em cima da louça.
Ou mesmo objetos como um livro deslocado, de onde tinha deixado anteriormente. Clive se arrepende da vida que leva. Mesmo assim, não faz nada para mudar. É distante dos filhos e um casamento conveniente para ele e Marie. Chegando a mentir para Marie sobre sua traição. Indo além das vias de fato, para conseguir se livrar da influência de Leo sobre sua família. Em especial George. Algo que Leo fez indiretamente, enxergando no jovem quando tinha sua idade. Já que não deseja para ele, o que sofreu na época. Davies deixa bem claro que a figura de Clive representa o que há de pior na extrema direita. Pessoas que se auto proclamam representantes da pauta dos bons costumes, quando na verdade, se julgam acima de tudo e de todos. Cummings e Morrissey estão excepcionais em seus papeis. Exibem os dois lados de uma moeda em que a polarização está acabando, com o que há de humanidade na sociedade.

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