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"O OUTRO LADO DAS REDES", Um Choque de Realidade

No começo dos anos 2000, as redes sociais estavam engatinhando. Quem se lembra do ORKUT ou das mensagens no MSN? Passados mais de vinte anos, estamos conectados 24 horas. Sejam em tablets, smartphones ou simplesmente no celular. Um dos líderes desta revolução digital foi o então jovem Mark Zuckenberg ao lado de amigos de faculdade como o brasileiro Eduardo Saverin, criaram a plataforma Facebook. Inicialmente para os alunos de Harvard, mas o sucesso foi tão grande, que ela se nacionalizou. Posteriormente, ganhou o mundo. Zuckerberg se tornou o mais jovem bilionário, aos 23 anos de idade. A história rendeu as páginas do livro “Bilionários por Acaso” de Ben Mezrich em 2009, foi adaptada para o cinema em 2010. Intitulada “A Rede Social (The Social Network)”, com roteiro de Aaron Sorkin e direção de David Fincher. Para saber mais no link: https://cyroay72.blogspot.com/2017/06/a-rede-social-2010.html


Passados dezesseis anos, Sorkin retoma ao tema em “O Outro Lado das Redes (The Social Reckoning, 2026)”. Assumindo a cadeira de diretor em lugar de Fincher, vemos como o Facebook se tornou uma multinacional. Enfrentando de frente, empresas do ramo como o Google e a Microsoft. Ao contrário do espirito empreendedor de “A Rede Social”, agora temos o que rola nos bastidores e nos escritórios das instalações da empresa. A engenheira técnica Frances Haugen, feita por Mikey Madison (Oscar de Melhor Atriz por “Anora, 2024”), é contratada em 2019. Para fazer parte do time Facebook, na área Civic Integrity. Ao verificar os algoritmos que cuidam dos dados sensíveis dos usuários.  Descobre que eles não são verificados como deveriam. Isto é, o envio de Fake News e discursos de ódio. Acabam “presas” à plataforma, o que pode causar danos cognitivos às pessoas que o acessam. Preocupada, Frances resolve denunciar. 

Entrando em contato com o repórter do Wall Street Journal Jeff Horwitz, com o chef Carmy Berzatto Jeremy Allen White no papel. A dupla improvável vai publicar a história para comprovar que Mark está ciente disso. Além de aprovar tal ato. Zuckerberg é interpretado por Jeremy Strong (o Kendall Roy de “Succession”). Substituindo Jesse Eisenberg, por motivos óbvios, que não quis reprisar o papel. Strong exibe toda a imponência do personagem. Praticamente “Dono do Mundo”, como outro megalomaníaco, o homem mais rico do mundo Elon Musk. Uma pessoa sem escrúpulos e sabendo que criou uma máquina capaz de manipular as pessoas. Não é à toa que ele é o CEO do Whatsapp, Instagram, Threads e Messenger. Redes sociais são capazes de destruir famílias e desestabilizar governos. Como estamos vivenciando em nossas eleições presidenciais. 

Aaron se baseou na série de reportagens “Os Arquivos do Facebook” de Jeff, que contou com o auxílio de Frances, para o Wall Street Journal em 2021. Num tom de thriller policial com ares de suspense e uma pitada de filme de tribunal. Já que Mark se prepara para encarar o Senado dos EUA. Ele é orientado pela advogada especialista em crises Raya (Wummi Mosaku (B-15 de “Loki”), Chalie Garrigan (Bill Burr, o Migs de “O Mandaloriano”) e o relações públicas Teddy Marks (Billy Magnussen de “007: Sem Tempo Para Morrer, 2021”). Para enfrentar acusações de que sabia sobre a divulgação de grupos da extrema direita. Nos anúncios do facebook e páginas sobre o tema. Isso fica evidenciado na sequencia em que recria a invasão do Capitólio em Washington em 06 de janeiro de 2021. 

Mark na sede do Facebook, assistindo atônito e sem palavras. Enquanto seus assessores diretos o alertam para bloquear a plataforma. Já os invasores estão postando vídeos nas respectivas contas. Até que finalmente ele diz para derruba-la. Aaron exibe a faceta de Zuckerberg, que estava ciente do que ocorria no Facebook e resolve abri-la com o discurso de “Liberdade de Expressão”. Completamente de forma errônea, visando o lucro com as curtidas e os compartilhamentos do que é postado. Infelizmente o ódio tem mais engajamento nas redes do que o amor ao próximo. É assim que ele e seus associados ganham a fortuna que possuem até hoje. Deixando claro que o perfil de “intocável” tem seus limites. Mesmo concordando politicamente com o atual Presidente dos EUA, não quer dizer, que vai ficar eternamente debaixo da asa dele. Um jogo de interesses, regido por cifras com valores inimagináveis. 

 

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