O termo heavy metal surgiu no final dos anos 60 na Inglaterra (não poderia ser diferente), nas cidades industrias de Birmingham e Sheffield. De blues rock passando para rock psicodélico até chegar ao hard rock. Para muitos o Marco Zero, foi o álbum de estreia homônimo do Black Sabbath em 1970. O riff de Tony Iommi, o clima soturno e pesado com a cozinha de Geezer Butler (contrabaixo) e Bill Ward (bateria) e sem deixar de mencionar a voz do saudoso Ozzy Osbourne. Trouxe o gênero à tona. Em especial Iommi, que sofreu um acidente de trabalho numa metalúrgica, que decepou a ponta dos seus dedos. Isso fez com ele criasse riffs graves, lentos e com efeitos de distorção. O que se tornou sua marca registrada. Vide os clássicos “Paranoid”, “War Pigs” e “Sabbath Bloody Sabbath”.
Influenciando gerações como o inesquecível Randy Roads, Zakk Wylde, Kirk Hammett, Brett Hinds (Mastodon) e Dimebag Darrell (Pantera). Com isso dito, Tony lança seu novo disco solo “From The Dark (2026)”. Após um hiato de 21 anos, desde “Fused (2005)”, em parceria com “A Voz” Glenn Hughes. Trazendo a sonoridade que lhe é característica desde os tempos de Black Sabbath, riffs potentes e marcantes. A ideia original seria um disco instrumental, mas ele estava com tempo para repensar o conceito. Chamando para a empreitada, o cantor norueguês Jorn Lande, Becky Baldwin no contrabaixo e Karl Brazil na batera. Calma, apesar do sobrenome ele é inglês. Conhecido como musico de estúdio, que já trabalhou com Robbie Williams e a banda indie rock Feeder.
Já Becky toca no Mercyful Fate de King Diamond. Lande chamou atenção mundialmente, ao lançar o single “Vi Er Norge”. Um hino em homenagem à seleção norueguesa de Haaland. Ele participou da Fanfest organizada pela Fifa para a Copa do Mundo 2026, ao canta-la, o público fez o gesto da remada que a torcida norueguesa realizava nos jogos. Lande nunca escondeu sua maior referência, o icônico Ronnie James Dio. A quem chegou a homenagear no álbum “Dio” em 2010. Ele assume os vocais nas oito canções que fazem parte do álbum. Dividindo a autoria delas com Iommi. Abrindo com “Over The Violent Sun”, puro metal. Trazendo na memória, o disco “The Devil You Know (2009)” do Heaven and Hell. Que contou com a formação do Black Sabbath com Dio e o batera Vinny Appice. Já “Black Times” é soturna, relembrando a fase Dio no Sabbath.
Uma referência à épica “The Sign of the Southern Cross”. “World Alone”, foi o primeiro single, como um rock acelerado com riff potente. Enquanto “Beyond The Dead”, discute a vida após a morte, na primeira colaboração entre Jorn e Tony. Foi com “Stormwatcher” decidiram trabalhar, trazem a musicalidade da fase com Tony Martin. Uma canção que remete ao mistério e o desespero no desconhecido. Em “Death Wake” temos o guitar hero de cabelos encaracolados esbranquiçados Brian May. Dividindo as cordas da sua Red Special com a Gibson Epiphone de Iommi. A canção possui um tom pessimista, sobre a perspectiva de uma vida sem empatia. “Return of the Arbalist” é puro hard rock com Jorn evocando Dio. Como bem ouvimos em “Dehumanizer (1992)”. A épica “Legacy” encerra os trabalhos.
Iommi e Lande, estão muito bem acompanhados por Baldwin e Brazil, com o norueguês soltando a voz como David Coverdale. Este também é uma das suas influências. Faz a reflexão sobre o que fizemos no passado e como isso afeta nossas ações nos dias de hoje. Aqui temos uma parceria que deu certo e apostou no que Tony fez pela musica em mais de 60 anos de carreira. Com um dos gênios da guitarra e que introduziu um gênero musical que se fortaleceu com o passar dos anos. Exemplificado com Iron Maiden, Metallica, Megadeth, Anthrax, Alice In Chains, Pantera, Smashing Pumpkins e Faith No More.

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