O que seria uma investigação sobre a vinda de um animal selvagem em direção a um vilarejo, vai se tornar algo muito maior. O xerife Beom-Seok (Hwang Jung-min) é chamado pelo primo Sung-ki (Zo In-sung) . Informado sobre a morte brutal de uma vaca nos arredores da cidade Hope Harbor. Ela fica na zona desmilitarizada da Coreia do Sul, a grande maioria da população é formada por idosos. Seus rendimentos vêm da pesca local. Os ferimentos no animal indicam a presença de um tigre. O que pode ameaçar os cidadãos. Faz com que o xerife alerta a delegacia para seus auxiliares ficarem de olho. Já Sung-ki chama um grupo de caçadores para irem atrás do tigre. Em duas frentes, os dois buscam pela ameaça. Ao chegar na cidade, Beom repara que as ruas estão vazias e destroços à vista. O que parecia ser um animal selvagem, é maior do que se imaginava.
Explosões e tiros são ouvidos ao fundo, indo em direção a eles. Surgem cidadãos armados até os dentes, para enfrentar a criatura. Beom está com medo, já que desconhece sua aparência. Enquanto isso, Sung-ki ao lado de seus amigos adentram na densa floresta e acham um acampamento de caçadores. Os mesmos foram aniquilados brutalmente, ao redor e percebem que vão enfrentar um inimigo invisível. A cada passo dado por Beom e Sung-ki, vai se revelando mais que aparentava. Daí a trama inicial de “Hope: O Primeiro Impacto (Hopeu, 2026)”. Escrito e dirigido por Na Hong-jin, conhecido pelos thrillers policiais “O Caçador (2008)” e “O Lamento (2016)”, retorna após 16 anos do seu último trabalho, “Mar Sangrento (2010)”. Para entrar de cabeça no mundo da ficção cientifica, com ares de suspense e terror. Como toda boa scifi, o desconhecido atrai e causa arrepios ao espectador mais desavisado. Beom e Sung-ki transmitem isso perfeitamente.
Já que não sabem o que estão enfrentando. Ao descobrirem, lutam com o que tem em mãos. Exemplificada na tensa sequencia pelas ruas de Hope, a jovem policial Sung Ae (Hoyeon, a jogador 67 de “Round 6”) dirigindo sua viatura. Com todo armamento da delegacia para enfrentar a criatura. Revelado como uma gigantesca e indestrutível ser alienígena. Cheia de tensão e ação frenética, conseguem derrota-la. Já Sung-ko enfrenta seu inimigo com apenas um rifle e faca. Os dois se encaram e descobrimos que ele se chama Ma’veyyo. Vivido pelo jovem mutante Magneto Michael Fassbender. Este é o protetor da rainha J’aur, com Alicia Vikander (Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “A Garota Dinamarquesa, 2015”). Vemos que eles são seres vindos de outro mundo. Só não se sabe para refúgio ou de conquista do nosso planeta azul. Um dos melhores relatos é o idoso, sr. Hae-su (Im Hyun-sik), ferido e cuidado por Sung Ae. Diz que no dia anterior, caçando na floresta, para poder fazer o “número dois” cai de uma ribanceira.
Lá enxerga as criaturas, ficando entre evacuar e evitar gritar de dor por causa da queda. Praticamente enfia o dedo na bunda. Mesmo assim, “caga nas pernas” literalmente. Mas consegue se salvar. Os confrontos dão ritmo ao filme, que é intercalado pelo típico humor sul-coreano. A relação entre Beom e o caçador Ahn Nak-yeon (Lee Sang-hee), que discutem sobre o que estão enfrentando. A situação inusitada e extrema que seus interpretes estão vivenciando. Aliado com suspense e muita ação como no eletrizante ato final. Onde eles lutam com unhas e dedos para derrotar Ma’veyyo. Este com uma desavença pessoal com Sung-ki. “Hope” é uma divertida scifi que não se leva à sério demais. Ao contrário de outros filmes do gênero, não está claro o que a presença extraterrestre quer conosco. Especialmente quando vemos a nave em que chegaram, caindo em Hope Harbor, aparentemente atacada ou destruída por pronta. Deixando o leque aberto para uma vindoura continuação. Já que se tornou a produção cinematográfica mais cara da Coreia do Sul. Que aproveita o isolamento da comunidade para dar um ar de western spaghetti a la Sergio Leone.

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