Na última terça-feira (18 de agosto de 2026), o mundo da dramaturgia brasileira sofreu duas perdas irreparáveis. Durante o dia, a notícia do falecimento da atriz Laura Cardoso (Laurinda de Jesus Balleroni, 1927 – 2026) aos 98 anos de idade. E no início da noite, Glória Menezes (Nilcedes Soares de Magalhães,1934 – 2026) nos deixou aos 91 anos de idade. Incansáveis elas deixaram sua marca na televisão, no teatro e no cinema. Em especial nos dois primeiros. As novelas e os especiais televisivos não seriam os mesmos sem a participações delas. Laura iniciou sua carreira no radio nos anos 40, atuando em radionovelas. Foi uma das primeiras atrizes a fazerem a transição para a televisão com a chegada da TV Tupi em 1950. Um dos seus principais trabalhos foi na novela “Mulheres de Areia (1993)” com a mãe das gêmeas Ruth e Raquel, feitas por Glória Pires, a dona Isaura. Que foi o remake da versão original de 1973/74.
Antes atuou em “As Pupilas do Senhor Reitor (1970/71) na TV Record. Marcando presença em “A Viagem (1994)” como dona Guiomar; na refilmagem de “Irmãos Coragem (1995)” como Sinhana; foi a tia Ruth de “Sansa & Merengue (1996/97)”; a doce dona Carmem em “Chocolate com Pimenta (2004)” e a implacável Laksmi em “Caminho das Índias (2009)”. Todos seus colegas e amigos enaltecem seu comprometimento profissional e sua ternura com os mais próximos. Estava aposentada desde 2020, voltando a atuar no curta “Dona Rosinha” em 2025 como a personagem principal. Foi a despedida de um ícone da dramaturgia da nossa terra brasilis. Poucas horas depois, foi o momento de despedir de outra estrela, Glória Menezes. Acompanhada pelo filho Tarcísio Filho, diz que ela partiu em paz, estava dormindo. Ao lado do marido e galã Tarcísio Meira, com que foi casada por 59 anos. O início de tudo foi na novela “2-5499 Ocupado (1963)”, a primeira juntos. Até a morte de Tarcísio em 2021, relacionada à pandemia da Covid-19.
Glória começou no teatro em 1959, chamando atenção do dramaturgo Antunes Filho. No mesmo ano, foi contratada pela TV Tupi. Se destacou no filme “O Pagador de Promessas (1962)” como a esposa Rosa do personagem de Leonardo Villar, Zé do Burro. Ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes daquele ano e indicado ao Oscar como Melhor Filme Internacional. Glória e Tarcísio fizeram parte do cotidiano dos brasileiros com novelas como “Irmãos Coragem (1970)”, “Guerra dos Sexos (1983/84)” e “Torre de Babel (1988/89)”. Viveu sua primeira vilã em “Rainha da Sucata (1990)” como a maquiavélica Laurinha Figueroa. Saindo da sua zona de conforto como a hilária Rosemere de “Brega e Chique” em 1987. Se despedindo da telinha em 2015 como Stelinha em “Totalmente Demais”. As duas chegaram a trabalhar juntas nas novelas “Um Lugar ao Sol (1959)” e “Senhora do Destino (2004)”. Laura faleceu em sua casa no bairro do Sumaré, zona oeste da cidade de São Paulo. Já Glória em seu apartamento no Rio de Janeiro.


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