Com a premissa do jogo ilegal mais antigo do nosso país tupiniquim, o do Bicho. Desde seu surgimento em 1892 na cidade maravilhosa Rio de Janeiro, permanece proibido até hoje. Seu sistema é bem simples, cinco dezenas são sorteadas representadas por 25 animais da nossa fauna. Se você acertá-las, ganha o prêmio em dinheiro. Dai surge o filme nacional “Corrida dos Bichos (2026)”, produzido pelo Prime Video. Dirigido pelo trio Rodrigo Pesavento, Ernesto Solis e Fernando Meirelles. O último é dos produtores e conhecido mundialmente por “Cidade de Deus (2002)”, a partir do roteiro escrito por Solis e Rodrigo Lages, estamos no Rio de Janeiro após “A Grande Catástrofe”.
Num futuro próximo, após um evento ambiental que remodelou a cidade geologicamente. O mar azul que estava em seu litoral secou, fazendo com que seu cotidiano mudasse rapidamente. As classes sociais estão bem separadas, os ricos de lado e os pobres de outro. Para manter o glamouroso estilo de vida, criam a corrida que dá nome à película. O que era de papel se torna uma corrida pela vida. Os participantes se tornam os bichos e durante um ano devem correm para se preservarem. Sua garantia é indicar uma pessoa da família, como seguro. Caso perca ou morra, ela é a garantia que sua divida será pega. Assim temos Abu, vivido pelo bonitão Rodrigo Santoro.
Ele gerencia a corrida e seleciona os participantes. Tem o auxilio de Micaela (Grazi Massafera) e trabalha para o ricaço Leon (Bruno Gagliasso). Este tem como esposa Nadine (Isis Valverde), os dois resolvem competir na corrida. O bicho de Leon é o Touro, já ela está em busca de um. Em meio a isso, o jovem Mano (Matheus Abreu) que mora no “Perímetro da Morte”, uma parte da cidade que é contra a corrida. O bicho que atravessá-la, é morto. Mano é conhecido como caçador, por lutar contra o sistema. Mas sua situação muda quando descobre a irmã Dalva (Thainá Duarte) se torna o seguro do namorado Jonas (João Guilherme). Já que este resolveu participar da corrida.
Faz com que Matheus tome seu lugar para salvar a irmã. Indicado por Abu, Nadine o escolhe como seu bicho. Assumindo a persona do Gato. Anteriormente era como seu padrasto e pai de Dalva, Baco (Seu Jorge) se chamava. Com quem não tem uma boa relação. Já que o culpa pela morte da mãe. Ele fica paraplégico e ela era seu seguro. Com os personagens apresentados temos o enredo para o jogo de gato e rato (literalmente) em “Corrida dos Bichos”. Sendo a luta de classes, seu mote. A diferença dos poderosos e daqueles desafortunados, é evidenciado pelo status de ambos. A extravagancia é bem vista na persona de Leon. Roupas, comes e bebes e medico particular. Já a rotina de Mano é o contrário. A pobreza e vivendo no limite.
O clima apocalíptico traz na memória, a franquia “Jogos Vorazes”. A disputa pela vida e oponência dos distritos mais ricos. Rendendo boas sequencias de ação com a corrida entre o Touro, o Gato, a Coelha e o Galo. Lutam com unhas e dentes pela própria sobrevivência. Como a narradora da corrida Divina, temos a musa funk Anitta. Soltando toda sua verborragia característica, um atrativo a parte. Que regravou o clássico Titãs, “Bichos Escrotos”. Um tema que justifica o filme: “Bichos escrotos saiam dos esgotos, bichos escrotos venham enfeitar, meu lar, meu jantar, meu nobre paladar”. Ou seja, os pobres entretêm os ricos para seu mero divertimento. O elenco estelar do nosso mundo do entretenimento garante isso, acompanhados por uma nova geração.

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