O carismático vocalista do The Killers Brandon Flowers é um workaholic. Explorando a temática do último álbum da banda, “Pressure Machine (2021)”, Brandon detalhava seu cotidiano em sua cidade natal Nephi, localizada no sudoeste dos EUA. Para saber mais no link: https://cyroay72.blogspot.com/2021/11/the-killers-estao-de-volta-com-pressure.html. Retomando o assunto em seu terceiro trabalho solo, “Trasher (2026)”. Indo além da veia rock característica, calcada nos anos 80. Em entrevista para a New Music Express (NME) resolveu investir numa sonoridade que foi referência dos pais. No caso, a country music. Desde a infância, ouvia especialmente com o pai, cantores como Johnny Cash e Willie Nelson. O próprio confirma a influência do irmão mais velho em relação ao U2, The Smiths, New Order e Depeche Mode. Já suas irmãs ouviam r’n’b anos 90.
E só agora se sente mais à vontade, para compor canções com um tom mais pessoal. Ao mesmo tempo, homenagem seus pais. O próprio diz que se sente mais maduro para se abrir. Canções do “Boss” Bruce Springsteen e Tom Petty o ajudaram a refletir sobre isso. Simultaneamente se aprofundou nas raízes da música norte-americana. Nas palavras do pai, a “country western”. Ou mais popularmente conhecida como “Americana”. Dai a origem do título e o coração aberto de Flowers nas dez canções que compõem “Trasher”. Abrindo com a deliciosa “Does It Ever Cross My Mind?”, que nos leva a um clima de rodeio.
Acompanhada pela vibrante “One of Us”, já “Tiger’s Blood” remete ao rock pulsante de Springsteen. O primeiro single “Plans” retoma a pegada country. Bem caracterizada com a pedal steel de Bruce Bouton e a harmônica de Charlie McCoy. Duas lendas do gênero. Enquanto “Paradise” é um country rock envolto de polemica. Brandon diz que a canção de Phil Collins, “Another Day in Paradise”, havia “tirado a expressão do trabalhador” em 1989 e agora seria devolvido ao seu legitimo dono. Canção foi criticada pela sua temática distante sobre a pobreza. Flowers aproveita o gancho para retratar a rotina cansativa do trabalhador comum em Las Vegas. Uma reflexão sobre os dilemas que carregam dentro de si.
“Miss America” é uma triste balada sobre uma ex-miss que envelhecida se torna viciada em metanfetamina. O tom épico de “Angel” entraria fácil nos últimos discos do The Killers. Em “Red Ground”, a salsa se mistura à pegada rock de Flowers. Para se render ao conceito country de “Trasher” na segunda parte. Fechando os trabalhos temos o pop rock gospel “In A Heartbeat” e “An American Dream”. Esta reflete sobre uma viagem pela estrada vazia e perdido nos próprios pensamentos até o encontro inusitado com Elvis Presley: “Ele riu quando perguntei se tudo aquilo tinha valido a pena, e chorou quando me perguntou sobre Lisa Marie”.
Ao contrário dos dois primeiros discos solo “Flamingo (2010)” e “The Desired Effect (2015)”, seguiam a sonoridade característica de Brandon. Ganhando um tom mais intimista. Nas suas palavras, é o início de um conceito composto por três discos. Mantendo a banda que o acompanha. Como o lendário guitarrista country David Rawlings. Que tocou em “Tiger’s Blood”, “Miss America” e “The Red Ground”. Além dos produtores Jonathan Rado e Shawn Everett, trabalham juntos desde 2020 em “Imploding The Mirage” do Killers. Sobre a temática, disse: “Talvez não seja tão country, mas talvez tenha uma pegada country. Da mesma forma que Tom Petty ou The Travelling Willburys têm uma pegada country”.

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