Desde 2013, a veterana banda de hard rock Deep Purple se mantém ativada. O álbum “Now What” marcou uma nova fase com o guitar hero Steve Morse. Além da pegada característica, ele adicionou jazz, blues e uma pitada de rock progressivo. Isso é sentido em “Infinite (2017)”, “Whoosh! (2020)” e no disco de covers “Turning To Crime (2021)”. Este último marcou a despedida de Morse, que saiu para cuidar da saúde de sua esposa Janine. Mas que veio a falecer em janeiro de 2024, devido a um câncer. Seu substituto Simon McBride, chamou atenção do público e da crítica, por seu estilo arrojado. O batismo de fogo foram as primeiras apresentações ao vivo, antes do lançamento do disco “= 1 (Equals One)” em 2024. Comentamos no link: https://cyroay72.blogspot.com/2024/07/o-novo-album-dos-veteranos-do-deep.html. Somado ao show na edição em nossa terra brasilis do Rock in Rio em setembro de mesmo ano. Para saber mais no link: https://cyroay72.blogspot.com/2024/09/o-dia-do-rock-15092024-no-rock-in-rio.html
Anunciado pelo contrabaixista Roger Glover, temos o novo trabalho “Splat! (2026)”. A partir de uma ideia do eterno língua de prata, o carismático vocalista Ian Gillan: “Em vez de tratar o fim (do mundo) como destruição, o álbum o imagina como transformação. SPLAT! explora o fim da humanidade não em um sentido apocalíptico grosseiro, mas como uma metamorfose que transcende a existência física. Devo dizer que agora estamos de volta com material compatível com ‘Highway Star’, ‘Smoke on the Water’, ‘Lazy’. A dinâmica, o equilíbrio e a diversão na música que fazíamos de 1969 a 1973”. Como isso dito, temos o disco mais pesado, nas palavras dos seus integrantes, dos últimos tempos do DP. Mais uma vez produzido por Bob Ezrin. Que trabalha com eles desde 2013.
É conhecido por ser o produtor dos icônicos álbuns “Berlin (1973)” de Lou Reed, “Destroyer (1976)” do Kiss e “The Wall (1979)” do Pink Floyd. Abrindo os trabalhos temos “Arrogant Boy”. Canção pulsante que remete a fase áurea do DP. Puro hard rock. Assim como “Diablo” que traz na memória, o duelo entre a guitarra de Ritchie Blackmore e os teclados de Jon Lord. Agora revivido por McBride e Don Airey. Encorpado pela cozinha formada por Glover e o batera Ian Paice. Este último é o único integrante original. O groove e o peso na medida certa. “The Rider”, “The Lunatic” e “Only Horse in the Town” mantem a pegada anos 70. O destaque fica para Simon. Seu estilo se encaixou perfeitamente ao DP, deixando sua identidade própria. Não é meramente o substituto de Morse e Blackmore. Riffs e solos inspiradíssimos, mostram que ele foi a escolha certa.
Já “Sacred Land” temos a influência da música celta. “The Beating of Wings” é um blues rock ao estilo DP. “Guilt Trippin’”, mescla a fase progressiva de Morse e a atual com McBride. Adicionando um ar psicodélico à canção. “Scriblin’ Gib’rish” lembra as brincadeiras musicais de antigamente. Um refrão que parece ‘travar a língua’, certo clima de jam session. Destaque para Paice, exibindo toda sua maestria nas peles de sua bateria. “Jessica’s Bra”, “Third Call” e “My New Movie”, o hard rock anos 70 voltam com tudo. Essa trinca introduz a faixa título que encerra os trabalhos de forma épica. A cozinha Glover / Paice, os teclados de Airey, a voz de Gillan (que não atinge os graves de outrora) e a modulo guitar hero de McBride exibem muita cumplicidade musical. Que não ficam presos ao passado cheio de glorias do DP. Apenas ratificam o legado das formações anteriores e ainda possuem muita lenha para queimar. Isto é, a mensagem é bem clara, compor rock and roll de verdade e de qualidade, não tem idade.

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