Quando estreou em 2019, a expectativa era enorme com o anuncio da DC em parceria com a Warner sobre o filme do palhaço do crime Coringa. Ainda mais estrelado pelo Johnny Cash no cinema Joaquin Phoenix. Havia certa apreensão com seu realizador Todd Philips, este conhecido com a tresloucada franquia “Se Beber, Não Case”. Que foi sanada com uma película, numa nova abordagem do Coringa, bem diferente do que conhecemos dos quadrinhos. Phoenix é o comediante Arthur Fleck que faz tratamento da sua saúde mental pelo serviço público de Gotham City. E ainda cuida da mãe (Frances Conroy). Tudo corre na sua rotina, até que é avisado que ele não poderá continua-lo, já que o centro médico vai ser fechado. Por isso, ele surta e sua persona se divide na realidade criada em sua mente e o que ocorre ao seu redor.
Para saber mais sobre “Coringa” no link: https://cyroay72.blogspot.com/2019/10/joaquin-phoenix-e-o-novo-coringa.html. Por sua excepcional atuação, Joaquin levou para casa todos os prêmios da categoria Melhor Ator, tanto no Oscar quanto no Sindicato de Atores. E Philips trouxe um filme que reflete sobre saúde mental e uma reconstituição de época primorosa baseada na cidade de Nova York no final dos anos 70 e início dos 80. Quando vivia uma crise sanitária e nem de longe, lembra a Big Apple dos dias de hoje. Um exemplo de limpeza e higiene. A especulação era grande se teríamos uma continuação. Onde o próprio Phoenix dizia que teria dificuldades em voltar a encarnar o personagem. Mesmo assim, Todd confirmou a continuidade do conto de Arthur e a volta de Joaquin ao papel.
Com o acréscimo da carismática Lady Gaga como Arlequina. Assim temos “Coringa: Delírio A Dois (Joker: Folie À Deux, 2024)”. Arthur está preso no Asilo Arkham, aguardando o julgamento pelos crimes cometidos no primeiro filme. Todd volta a cadeira de diretor e divide o roteiro com Scott Silver, repetindo a parceria de “Coringa”. Aqui vemos Arthur entorpecido pelos remédios e vivendo a própria realidade. Ao mesmo tempo, é entrevistado pelo jornalista Paddy Meyers (Steve Coogan) tenta explicar quem realmente é. Fala abertamente sobre suas motivações e devaneios que o levaram a cometer atos tão insanos. Como o assassinato do apresentador Murray Franklin (Robert De Niro) em seu programa de TV ao vivo. E ainda conhece Harleen “Lee” Quinzel, feita por Gaga.
Ela o admira e busca meios para se aproximar dele. Arthur enxerga em Lee, a pessoa que pode ama-lo incondicionalmente. E sendo amado igualmente. Os dois engatam um relacionamento. No imaginário deles, vivem intensamente o amor. Já na vida real, o caos reina com a presença deles. Assim temos o mote de “Delírio A Dois”. Joaquin repete o que fez no primeiro filme. Um personagem perdido na própria loucura e que ganha proporções épicas com a presença de Lee. Onde seu proposito vai mais além. Como sua frágil saúde mental e de seus semelhantes, sendo mal cuidada por aqueles que deviam faze-lo melhor.
Na verdade, é mais fácil trata-lo como louco do que buscar um meio de apaziguar seus demônios internos. Arthur se deixa levar como um agente do caos, devido sua grande influência sobre as pessoas. Uma maneira de abalar o “sistema”. Phoenix e Gaga exibem sintonia em cena. Em especial nos devaneios musicais da dupla. A segunda é carismática e deixa seu recado como a personagem que vai além de ser a parceria do palhaço do crime. Uma pessoa manipuladora que consegue encantar Arthur. Em determinado momento, descobre que ela se internou voluntariamente e tem formação como psiquiatra. Que o faz acreditar que sua insanidade é seu maior dom. Quando na verdade é sua maior fraqueza. Isso é exemplificado no ato final da película, admitindo seus erros e que não é o Coringa, apenas Arthur Fleck.

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