Os irmãos
Noel e Liam Gallagher ficaram conhecidos mundialmente pelas brigas homéricas.
Num tom que beira à brincadeira até se tornar uma rixa pessoal. Tanto que
ficaram sem falar por 15 anos. Separando a banda que formaram nos anos
90 e ascendendo nos anos 2000, o icônico Oasis
em 2009. O que parecia irreconciliável, se transformou em algo improvável. Foi anunciado
uma turnê em que Oasis voltaria aos
palcos em 2025. Chamada “Oasis Live’25”
celebrou o retorno do grupo e a reconciliação dos Gallagher. Rodou os quatro cantos do mundo, que incluiu passagem em
nosso país tupiniquim. Além de tocarem em países que nunca foram antes, como a
Coréia do Norte. Foi um sucesso estrondoso, ingressos esgotados e a emoção à flor
da pele dos fãs. Assim chegamos ao documentário “Oasis: Don’t Look Back in Anger (2026)”.
Produzido e escrito por Steven Knight, criador da impactante serie “Peaky Blinders (2013 a 2022)”, com direção da dupla Dylan Southern & Will Lovelace, eles nos trazem os bastidores da turnê. Os primeiros ensaios, comentários dos irmãos e a expectativa dos fãs ao ver e ouvir a banda. Seja a primeira vez ou aqueles que os acompanham desde o início. Com um breve histórico sobre o começo do Oasis até a ascensão com “Definitely Maybe” em 1994 e ratificada com “(What’s The Story) Morning Glory” de 1995. Apesar de serem irmãos, Liam e Noel nunca foram de saírem juntos. Isso é falado por ambos nos 123 minutos do documentário. Mas mantinha uma boa relação até se tornaram rockstar. As falas diretas de Liam sobre o irmão e a resposta de Noel, originaram a animosidade de outrora. Até que eles foram “a vias de fato”, pouco antes de um show em Paris em 2009. A produtora anunciou que eles se separaram e o show foi cancelado. Já que ambos foram embora. O anuncio oficial pelo site oficial, numa carta escrita por Noel. Desde então, dois não se falaram mais. Até o dia do primeiro ensaio.
Noel diz estar preocupado em dividir o palco com Liam. Não quer sentir a mesma pressão de antes. Completa que é uma pessoa que não perdoa. Uma falha pessoal, diz ele, já que se você “pisar na bola” com ele. Isso jamais será esquecido e nunca mais vai falar contigo. Enquanto ele, Gem Archer (guitarra), Andy Bell (contrabaixo), Christian Madden (teclados), Joey Waronker (bateria) e Paul “Bonehead” Arthurs (guitarra) estão no aguardo de Liam. Já este disse é o que é. Um cara que não mede as palavras e está nem aí para a opinião dos outros. E bastante ansioso pela turnê e voltar a tocar com Noel. Sente que é o momento certo para o reencontro. Ele chega no quinto dia de ensaio, acompanhado por um assistente. Os dois não se cumprimentam, só trocam olhares e sorrisos.
Conversam como devem tocar certas canções. Em meio à flashbacks de shows nos anos 2000, com o momento atual. Até a hora que Noel diz estar cansado de ensaiar e partir logo para a turnê. Daí temos o primeiro show em Cardiff, os fãs por toda cidade, ansiosos. A polícia local preparando a segurança e chefe do departamento, até brinca a respeito. Usando referência, os álbuns “Definitely Maybe” e “The Masterplan” para definir o planejamento. É o pontapé inicial da turnê que abalou as estruturas do mundo pop. Aqui o documentário nos traz a perspectiva dos fãs sobre ela e como a música do Oasis influenciou suas vidas. Um dos mais divertidos é de uma fã brasileira. Que nomeou seu cão de “Bonehead”. Ao explicar o nome, entende-se que ela o conheceu. Quando na verdade, o pet esbarrou no seu caminho. Argentina, Coreia, Irlanda e os próprios ingleses ratificam seu carinho pelo grupo. Noel comenta a descendência irlandesa.
Já que sua família é originaria de lá. Mesclando as apresentações com as menções dos fãs. O argentino que transformou a clássica “Wonderwall” no tema do time de coração, San Lorenzo. A coreana diz não saber lidar emocionalmente quando começar o show. “Don’t Look Back in Anger” é uma celebração aos fãs do Oasis. Exibindo como o tempo é melhor remédio para que desavenças do passado, sejam superadas. Em especial, Noel. Com dois pés para trás, ao voltar se relacionar com Liam. Preocupado, numa eventual explosão de fúria do irmão. Algo que não aconteceu. Percebeu que Liam é o que é. Autentico e sincero ao extremo. E que isso não o chateava mais. Ao seu modo, deu o perdão. Esqueceu que ele tinha um lado engraçado. Estava feliz que os filhos dele e do irmão (Sonny, Donovan, Gene e Lennon) se tornaram grandes amigos. Já nunca se conheceram. E fazem o que eles faziam na juventude. Um reflexo da própria vida dos irmãos. A dupla exibe a felicidade pela reconciliação. Ainda não saem juntos, mas mantem contato com mensagens diárias pelo celular. Nas palavras de Noel. Além de reverenciar a volta de Bonehead, ele representa o som do Oasis.

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