O mundo esportivo tem sido explorado, tanto em series televisivos como na sétima arte. Como exemplo recente, a franquia “Creed” de Ryan Coogler que nos trouxe o filho de Apollo Creed, Adonis. Tendo ao seu lado, o campeão Rocky Balboa, na sua jornada para ser um lutador de boxe como o pai. Para saber mais no link: https://cyroay72.blogspot.com/2023/03/em-creed-iii-adonis-precisa-ratificar.html. Aproveitando o tema, temos “Christy: Um Novo Round (Christy, 2025)”, exibido no Festival de Cinema de Toronto no ano passado. Com certa repercussão, trazendo à tona um lado pouco conhecido do esporte, o boxe feminino.
É a história real da boxeadora Christy Salters Martin. Iniciando a carreira de forma amadora, e chamando atenção de olheiros da categoria. Enxergando nela, um futuro promissor. Ela é interpretada por Sydney Sweeney, a Cassie da série HBO “Euphoria (2019 a 2026)”. As lutadoras de boxe, na grande maioria são amadoras, disputam torneios independentes. Poucas conseguem se profissionalizar. Já que não há uma liga profissional como a masculina. Que é a mesma que cuida delas. Christy se destaca nestas competições. Porém, ela se vê como jogadora de basquete no colégio em sua cidade natal Itman (West Virginia). Estamos em 1989, é convencida a conhecer o treinador James Martin (Ben Foster). Este não acredita no seu potencial, a faz lutar com um homem. Nervosa, acaba derrubada.
Ao se levantar, exibe seu estilo despojado e um cruzado de quebrar o queixo, nocauteando seu oponente. James vê que ela pode ser uma grande lutadora. Conseguindo pequenas lutas, com Christy ficando conhecida nacionalmente. Literalmente derrubando suas oponentes, se tornando uma referência no esporte. Porem, sua vida pessoal é complicada. Para evitar rótulos como ser homossexual. Já que no colégio foi acusada de namorar sua melhor amiga Rosie (Jess Garbor). Elas mantinham uma relação escondida de todos. Só seu irmão Randy (Coleman Pedigo) sabia e é seu maior incentivador dos seus ideais. A mãe Joyce (Merritt Wever) é preconceituosa e é contra. Já seu pai John (Ethan Embry) fica preocupada com a situação da filha. A solução vem de James, os dois devem se casar para evitar maiores suspeitas.
Para Christy era conveiente, já que deseja se profissionalizar como Mike Tyson. Bem-sucedida financeiramente e a campeã na categoria. Dai o mote inicial de “Christy”. A partir da história escrita por Katherine Fugate, roteirizada por Mirrah Foulkes e David Michôd. Este ultimo assume a cadeira de diretor. Nos trazem a história verídica de Christy, como a primeira lutadora de boxe feminino profissional. Sua jornada que a tornou uma lenda do esporte. Ao contrário do que vimos em “Rocky” e “Creed”, o discurso de superação ganha um tom mais real. Já que a luta de Christy também era fora dos ringues. Sofrendo com o preconceito dentro da própria família, personificado na figura materna. Ela não podia ser quem é na sua vida privada. Uma mulher plena e homossexual.
Um casamento arranjado que foi se transforma numa união abusiva. Já que ela era a fonte de renda e James apenas se aproveitando do status de marido e empresário. Foster, exibe toda a cretinice de seu personagem. Hipócrita, possessivo e racista. A violência doméstica surge. Destaque fica para a atuação de Sydney, saindo da sua zona de conforto. Totalmente caracterizado como sua personagem, está irreconhecível. Exibindo uma força dramática, aliado ao seu carisma em cena. Somado a resiliência de Christy para conquistar seu sonho e finalmente “sair do armário”. Exemplificado nas cenas com a rival Lisa Holewyne, vivida por Katy O’Brian (“Love Lies Bleeding: O Amor Sangra, 2024”). Elas lutam pelo título e mais tarde, Lisa a ajuda no treino para o confronto contra Laila Ali (Naomi Graham). E quando vai visita-la no hospital após a tentativa de assassinato de James contra sua vida. Posteriormente as duas se casam.

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