Quem não
diz “Que panela velha que faz comida boa”. Esse velho ditado cabe perfeitamente
aos Rolling Stones. O trio remanescente com o carismático vocalista Mick
Jagger, o enigmático guitarrista Keith Richards e o guitar hero Ronnie
Wood demonstram não estão dispostos a parar. Os dois primeiros com 82 anos
cada e o ultimo com 79 anos. Mesmo a pandemia da Covid-19 em 2020 e o
falecimento súbito do insubstituível batera, o cool Charlie Watts em
2021, eles não pararam. Com o fim da pandemia, puderam se reunir para
gravar “Hackney Diamonds”. Lançado em outubro de 2023, contou com
as últimas gravações em estúdio de Watts. Comentamos o álbum no link: https://cyroay72.blogspot.com/2023/10/os-rolling-stones-estao-de-volta-com.html
Agora em 2026, confirmaram os rumores de um novo disco, lançado em 10 de julho, “Foreign Tongues”. Numa campanha de marketing cheio de mistério, o primeiro single sai com o nome “The Cockroaches”. Codinome usado pelo grupo para divulgar novos trabalhos. No caso, o compacto duplo “In The Stars” e “Rough and Twisted”. A primeira é um rock característico Stones. Riff marcante de Keef e o refrão que gruda em nossas mentes. Já a segunda é um blues agressivo que só eles são capazes de compor. A gaita de Jagger, a base de Keith e a slide guitar de Ronnie. Elas são os cartões postais de “Foreign Tongues”.
Deixando bem claro que o trio não está para brincadeira. “Jealous Lover” dá uma acalmada nos ânimos. Sua sonoridade funk soul cairia perfeitamente em “Some Girls (1978)”. O canto em falsete de Mick se destaca. “Mr. Charm” é um rock cheio de swing. Faz uma crítica indireta ao multimilionário Elon Musk e os extremistas que estão no poder. “Divine Intervention” é puro rock stoniano. Com direito à Robert Smith, líder do The Cure, na guitarra base. “Ringing Hollow” é a vez da country music. Gênero favorito de sir Mick Jagger. O pedal steel de Ronnie e o vocal compartilhado dos Glimmer Twins nos levam à Nashville.
“Never Wanna Lose You” é um rock poderoso. O Bruninho Mars se presente com cowbell, Smith retorna nos teclados e vocais de apoio. Enquanto “Hit Me in the Head” é um punk rock urgente que conta com a batida perfeita de Charlie. Um dos destaques é a releitura de “You Know I’m No Good” de Amy Winehouse. Que vai além do tributo à jovem musa do soul funk que nos deixou precocemente. Praticamente a transforma numa canção dos Stones. Mick a cantando um tom acima e solando sua gaita como um bluesman das antigas.
“Some of Us” é a vez de Keith soltar a voz. Uma balada ao seu estilo. Soul music e rock na medida certa. Ao final, Mick se junta para um dueto. “Covered In You” é um rock com pitadas funk que conta com o beatle Paul McCartney no contrabaixo. Aqui Jagger surge politizado criticando as guerras e os autocratas. “Side Effects” é um rock ao estilo Stones. Fechando os trabalhos temos a bela “Back in Your Life”, uma balada poderosa que só os Stones poderiam compor. A dor da perda, dias antes de sua gravação, perdemos o beach boy Brian Wilson e Sly Stone. Com Mick chamando Ronnie para um solo inspiradíssimo.
A versão de “Beautiful Delilah” do ídolo maior de Keith, Chuck Berry, é um blues rock na sua essência. Contando com Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) na percussão Deixando bem claro que as pedras vão continuar rolando, mesmo com a idade avançada e saúde frágil de Richards, Wood e Jagger. O veterano Steve Winwood assume os teclados, o piano e o órgão. Além de Darryl Jones no contrabaixo e Steve Jordan, com a difícil missão de substituir o insubstituível nas peles da bateria. Contando com o produtor Andrew Watt, assim como bem fez em “Hackney Diamonds”. Que faz o simples, ao deixar os Rolling Stones à vontade nos trazerem o bom e velho rock and roll, que todos nós gostamos.

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