Na última quinta-feira (28 de maio de 2026), esteve que vos escreve participou da listening party do novo trabalho do eterno beatle Paul McCartney, “The Boys of Dungeon Lane L24 (2026)”. Promovido pela gravadora Universal no The Cavern Club São Paulo, dentro do Shopping Vila Olímpia, localizado na zona oeste da cidade de São Paulo. Graças ao amigo jornalista Claudio D., fui um dos sortudos que ouviram o álbum pela em primeira mão. Descrito como uma viagem no tempo ao seu passado antes de ser um dos garotos de Liverpool. Narrando como cresceu na rua em que dá nome ao disco. Na região de Speke em Liverpool. São quatorze canções em que Paul abre seu coração para falar sobre amizade, amor, desilusão e aventuras juvenis. Um sonhador que buscava ser mais do que aparentava.
Abrindo os trabalhos temos a emblemática “As You Lie There”. Ela começa acústica que ganha corpo repentinamente se tornou um blues rock potente. Soltando a voz como narrador e o refrão entoado. Seguida do rock pulsante “Lost Horizon”. Esta tem uma história interessante, descoberta pelo saudoso Eddie Klein. Engenheiro de som que trabalhou com os Beatles e posteriormente com Paul. Encontrou a canção gravada numa fita cassete, McCartney diz que não tem recordação de quando foi escrita. A reflexiva “Days We Left Behind”. Nas palavras de Paul, são suas lembranças de rua em Liverpool. Daí temos o pop rock “Ripples in the Pod”, escrita e dedicada à esposa Nancy Shevell.
A viajante “Mountaintop” é puro deleite musical. Começa acústica e de repente, ganha corpo para encerrar com uma jam session psicodélica. Já “Down South” é um relato sobre as viagens com George Harrison e John Lennon. Quando pegavam carona em caminhões rumo ao País de Gale ou sul da Inglaterra. A climática “We Two” cativa pela melodia. “Come Inside” é vibrante, puro rock and roll com uma leve referência ao riff de Keith “Keef” Richards dos Stones. A soturna “Never Know” nos pega de surpresa com sua densidade e peso.
Nas palavras de Paul: “Estava na Califórnia. Sempre gostei daquele vibe Lauren Canyon nos anos 70. Estava tocando violão tentando chegar neste clima. Essa foi minha tentativa de fazer isso”. Ao seu final, um solo de clarinete. Já “Home to Us” é o momento Beatle. Ringo Starr está de volta à bateria e divide o microfone com Paul. Ao lado deles, Chrissie Hynde dos Pretenders e Sharleen Spiteri nos backing vocais. O jazz chega com tudo em “Life Can Be Hard”.
“The First Star of the Night”, inicia como a demo gravada no hotel em Moçambique. Uma noite chuvosa para ganhar corpo como uma balada acústica. Sobre a noite tranquila na cidade, quando vê sua primeira estrela. Que para ele é um sinal de esperança para o mundo. Para encerrar temos “Salesman Saint” e “Momma Gets By”, sobre os pais James e Mary. O pai seria o vendedor e a mãe é a santa. Na vida real, ela foi enfermeira e parteira. Os dois se conheceram durante a Segunda Guerra e decidiram constituir família. Com a decisão de morarem em Liverpool, longe do conflito. Já que a capital era bombardeada e James também atuava como bombeiros para apagar os incêndios causados pelos ataques.
Onde Paul e o irmão Michael foram criados. Já “Momma” é a perspectiva do filho sobre os tempos de guerra. A dificuldade em der um prato de comida na mesa e o pai fragilizado pelo momento. Com a mãe sendo o alicerce familiar. Produzido ao lado de Andrew Watt, Paul exibe sua mais que conhecida versatilidade musical. Indo mais além com Watt lhe sendo o parceiro musical, já que compuseram cinco do tracklist. Como bem fez com o prince of darkness Ozzy Osbourne em “Ordinary Man (2020)”, Eddie Vedder em “Earthling (2022)” e os Rolling Stones em “Hackney Diamonds (2023)”. Deixando o artista bem à vontade e se conecta a ele para produzir o que há de melhor na música de verdade. No auge dos seus 83 anos, Paul solta e rasga a voz como nos tempos de Wings e tocando como poucos seu contrabaixo Hoffner, que se faz presente em todo repertorio do álbum.


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