É ano de Copa do Mundo. A nossa terra brasilis fica na expectativa de mais um título. No nosso caso, o hexacampeonato. Somos a única seleção a ganhar cinco copas. Somos pentacampeões. Apesar de todos os percursos nos últimos anos, temos um técnico competente e vencedor. Estamos falando de Carlo Ancelotti. O italiano, quando estava à frente do Real Madrid, era praticamente imbatível. Vencendo o campeonato espanhol e a première league mais de uma vez. A esperança dos brasileiros é grande, não só pelo seu currículo. Os nossos craques deslanchem na Copa como Vinicius Jr., Endrick, Casemiro e Rayan.
Aproveitando o momento, o canal das redes sociais Netflix, lança a minissérie “Brasil 70: A Saga do Tri (2026)”. Com os bastidores da seleção tricampeã na Copa no México em 1970. Criada por Rafael Dornellas e Naná Xavier, com direção de Quico Meirelles, Pedro e Paulo Morelli. Misturando ficção com fatos reais, vemos como a seleção estava desacreditada. O nosso rei Pelé (Lucas Agrícola), já dado como morto para o futebol. Após a desclassificação na Copa da Inglaterra em 1966, na partida contra Portugal na fase de grupos. Pelé se contundiu, teve que sair carregado. Daí o estigma que marcou sua carreira. Apesar de ter ganho duas copas, nunca as jogou inteiramente. Estava se recuperando de uma contusão ou sofreu uma no meio da competição. Ao chegar ao Brasil, disse em bom tom que seu ciclo na seleção se encerrou.
Em meio a isso, o jornalista esportivo João Saldanha (Rodrigo Santoro) é chamado para ser o novo técnico do Brasil. Controverso e claramente comunista. Ele não tinha medo de expressar sua opinião contra a ditadura militar que vivíamos em nosso país tupiniquim. Vai ao encontro de Pelé, que está treinando sozinho no estádio do Santos, a Vila Belmiro. A língua afiada de Saldanha o incomoda de início. Mas ele o convence a deixar a aposentadoria da amarelinha de lado. Para seguirem juntos nas eliminatórias pela Copa do Mundo no México. Convocando uma constelação de craques como os atacantes Jairzinho (Gui Ferraz) e Tostão (Ravel Andrade); os armadores Paulo Cezar Caju (Maicon Rodrigues), Rivellino (Daniel Blanco) e Gerson (Fillipe Soutto); o lateral Carlos Alberto Torres (Caio Cabral) e o goleiro Felix (Hugo Haddad). Incisivo, Saldanha deixa bem claro que não terão moleza. Apesar de serem referencias em seus times, quer dizer sem privilégios. Com o time formado, treinam e se preparam para as eliminatórias.
Em meio a chuva torrencial, eles não correspondem o que são. Fazem um jogo morno, irritando Saldanha. Ao invés de irem ao vestiário no intervalo, ele os segura em campo. Diz que estão fazendo corpo mole e não querem ganhar o jogo contra a Venezuela. Discutem e acabam entendendo seu papel. Jogam a sério e aplicam uma goleada de 5 a 0. Cimentando sua vaga para a Copa nas eliminatórias, jogando o mais fino do futebol. Porém, nada é fácil para nossa seleção. O posicionamento político de Saldanha e sua queixa sobre a interferência do então presidente Médici sobre a convocação. Ele desejava que o atacante Dadá Maravilha fosse convocado. Comentou: “O presidente escala o ministério dele. Quem escala meu time sou eu”. Joao se recusa a fazê-lo.
Por isso, ele é demitido do cargo. O que deixa todo time perplexo e questionando se vão conseguir jogar a Copa. Para seu lugar é chamado Mario Jorge Lobo Zagallo (Bruno Mazzeo). Totalmente diferente de Saldanha, ele se preocupa com o condicionamento físico e a parte tática do jogo. Onde cada um tem deve marcar seu oponente individualmente. Um choque para todos, já que tinham se condicionado ao esquema de Saldanha. Isso ocorre faltando poucas semanas para o início da competição. Daí o mote inicial de “Brasil 70”. Transitando entre a ficção e a verdade dos fatos, em seus cinco episódios vemos como os craques de uma geração também eram pessoas com nós.
Os dilemas e as certezas que estão dando seu melhor para ganharem a Copa. E provar ao povo brasileiro que pode se orgulhar deles. O trio formado por Santoro, Mazzeo e Agrícola dá o tom da minissérie. O primeiro como o jornalista sem meias palavras e idealista. Firme nos seus princípios políticos. Que traz ao espectador, como a ditatura militar queria se aproveitar do bom momento da seleção. Esconder as atrocidades do regime e propagar um falso nacionalidade. Sem esquecer suas celebres frases ditas na Copa: “Vida que Segue” e “Futebol Arte”. Foi como comentarista ao lado do narrador Eusébio Teixeira, feito pelo comediante Marcelo Adnet. Já o segundo, é a mitologia em torno do velho Lobo. Supersticioso e devoto de Santo Antônio. Além de apegado ao número 13. O próprio Mazzeo disse em entrevista “que não sabe se na vida real, o técnico era tão supersticioso como foi retratado”.
Lucas, surpreende por sua semelhança com
Pelé. Exibindo perfeitamente o peso com
o eterno camisa 10 carregava nas costas. Além de uma nação, não decepcionar a própria
família. Em especial o pai. Já o que viu chorar, quando Brasil perdeu a Copa de
1950 realizado em nosso país. O jogo contra o Uruguai foi no icônico Maracanã e
ficou conhecido como Maracanaço. O evento é assombrado na nossa seleção. Já que
na semifinal enfrentamos o Uruguai. Muito bem explorado, os jogadores precisam
superar as próprias superstições. Aqui Zagallo e Saldanha foram testemunhas do fatídico
jogo. Aproveitando para pegar as imagens da época e edita-las com os atores
retratando as jogadas inesquecíveis. Como o quase gol de Pelé, que chutou a
bola do meio campo. Já que viu o goleiro da Tchecoslováquia, adiantado em sua área.

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