A música da saga Star Wars do Criador George Lucas possui uma relação intrínseca com o maestro John Williams. O material composto por ele para os nove filmes que a compõe se tornaram icônicas. Como o tema da Força, “The Yoda Theme” e o impactante tema para o Império Galáctico de Palpatine, “The Imperial March”. Bem como novos, o duelo final entre Anakin Skywalker e Obi-Wan Kenobi em “Battle of the Heroes” e da jovem jedi Rey em “Rey’s Theme”. Com a venda da Lucasfilm para Walt Disney, a saga se expandiu no cinema com a nova trilogia iniciada em 2015 com “O Despertar da Força”. Somado a spin-offs como “Rogue One: Uma História Star Wars (2016)” com sua trilha musical composta por Michael Giacchino. Apesar da sua assinatura pessoal, a música de Williams se fez presente. Quando a serie, criada por Jon Favreau, do caçador de recompensas “O Mandaloriano” estreou em 2019. O patamar mudou.
A trilha foi composta por Ludwig Göransson. Parceiro musical de Ryan Coogler. Trabalham juntos desde a estreia de Coogler em 2013 com “Fruitvale Station”. A marcante música do herói de Wakanda Pantera Negra, que lhe rendeu seu primeiro Oscar para Melhor Trilha Musical Original em 2019. Ao contrário de outros do gênero, Ludwig traz instrumentos de sopro e de percussão. Dos mais diversos cantos do globo terrestre. As orquestrações são gravadas com sintetizadores, em partes por cordas. Trazendo uma nova perspectiva musical à saga. Exemplificado nas três temporadas de “O Mandaloriano” e “O Livro de Boba Fett (2021/22)”. A levando ao cinema em ‘O Mandaloriano & Grogu”. Comentamos sobre o filme no link: https://cyroay72.blogspot.com/2026/05/a-saga-star-wars-retorna-ao-cinema-em-o.html
De volta à musica, Ludwig adiciona novas camadas à jornada de Mando e do pequeno Grogu. Já o treinando para sobreviver quando não estiver mais presente. Eles vão atrás de um ex-general do Império, escondido na Orla Exterior. Que oferece proteção ao sistema planetário local. Abrindo os trabalhos com “This is the Way” e “The Mandalorian and Grogu”. Introduzindo o clima de aventura do filme, exemplificado com a empolgante sequência de abertura.
Mando e Grogu na captura do ex-líder imperial em meio ao confronto contra três gigantescos AT-AT. “The Twins” é o soturno tema dos gêmeos Hutt que desejam assumir o império do crime de Jabba The Hutt. “Shakari” apresenta o planeta que dá nome à orbita onde Rotta, filho de Jabba, está. Um tema cheio de nuances tecno anos 80. Quando Mando o encontra com Grogu, “Rotta” nos apresenta o personagem. Uma música pulsante que nos lembra, lutadores como Hulk Hogan.
Em “The Pit Fight”, eles se unem para enfrentar os monstros de Janus na arena. Empolgante que nos leva para dentro dela. Os metais, a batida da bateria e dos instrumentos de percussão deixam seu recado. A tensa “Rotta Chase” é o momento que que o trio consegue sair de lá. Ao mesmo tempo, capturarem Janus. Antes delas, temos “Hugo Durant’s Snack Shack”. Uma versão do tema principal como tarantela italiana, nos apresenta o personagem vivido por Martin Scorsese. Italiano na sua essência. Capiche!
“Embo” embala o vilão da vez em clima da mangá “Lobo Solitário” de Kazuo Koike & Goseki Kojima. Uma noite chuvosa na sua morada em Nevarro. Climática e um suspense a flor da pele. “Go Kid” e “Grogu’s World”, o pequenino reflete sobre seus ensinamentos jedi e o que aprendeu com Mando. Já que ele foi ferido no confronto contra a serpente-cobra no calabouço da fortaleza dos gêmeos. Agora é a vez dele, proteger seu pai. “Do We Run? Or Do We Fight?” e “All Weapons Hot” esquentam o clima para o tenso ato final.
Com Djin Djarin e Grogu resgatando Rotta. O fechamento com “Your Turn, Grogu”. Onde ele o deixa pilotar a Razor Quest pela primeira vez. O rito de passagem, de pai para filho. Ratificando a frase dita por Mando: “Os velhos protegem os jovens e os mais jovens protegem os mais velhos”. Apesar de ter a referência das referências, Göransson nos traz sua marca musical. Uma identidade própria, que não se confunde e nem se deixar influenciar pelo maestro.

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