Cinebiografias ganharam muito espaço nos últimos anos. Em especial, do mundo da música. As que mais chamaram atenção foram do rei do rock Elvis Presley pelo olhar de Baz Luhrmann em “Elvis (2022)” e o icônico vocalista do Queen Freddie Mercury, “Bohemian Rhapsody: A História de Freddie Mercury (2018)”. Ao lado deles, sir Elton John com “Rocketman (2019)”, o hard rock farofa anos 80 do Mötley Crüe em “The Dirt (2019)” até o poeta Bob Dylan autorizou a própria em “Um Completo Desconhecido (2024). Agora chegou a vez do Rei do Pop Michael Jackson ganhar a sua, intitulada simplesmente “Michael (2026)”.
Produzida por Graham King, um dos responsáveis por “Bohemian Rhapsody”, que trouxe Antoine Fuqua (da franquia “O Protetor”) para a cadeira de diretor e a história do biografado tem roteiro de John Logan. Que nos trouxe “Gladiador (2000)” de Ridley Scott e “O Aviador (2004)” de Martin Scorsese. Juntos, vemos o início de carreira de Michael ao lado dos irmãos Jermaine, Tito, Marlon e Jackie para formarem os Jackson Five. Aqui feitos por Jayden Harville, Judah Edwards, Jaylen Lyndon Hunter e Nathaniel Logan McIntyre respectivamente. Para este momento temos o novato Juliano Krue Valdi.
Puro talento e a grande revelação da película. Ele nos transmite como era Michael aos dez anos de idade. Cheio de empolgação e carisma em cena. Para ser o impiedoso pai deles, Joseph “Joe” Jackson temos Colman Domingo (o Ali da série HBO “Euphoria, desde 2019”). A doce mãe Katherine é feita por Nia Long. Ele faz com que os filhos ensaiem dia e noite para conseguirem se apresentar. Os primeiros shows surgem. Participam da apresentação de Gladys Knights and the Pips, chamam atenção da caça talentos da Motown Suzanne de Passe (Laura Harrier). Que lhes consegue uma audição com o todo poderoso da gravadora, Berry Gordy (Larenz Tate). Este se encanta por Michael.
Dai um salto para o sucesso ao redor do país. Joseph contrata Bill Bray (KeiLyn Durrel Jones) para ser segurança pessoal de Michael. Linha dura, ele mantém toda família debaixo do braço. Cuidando dos negócios e decidindo pelos filhos como devem se portar na carreira musical. Já na fase adulta, Michael é interpretado pelo sobrinho Jaafar Jackson. Este é outro destaque, que vai além da semelhança física. Estudando minuciosamente o tio. Pegando trejeitos, tom de voz e a timidez característica. Ele deseja sair do domínio de Joseph e assumir sua carreira solo. Já que tem muitas ideias e diferentemente do pai, quer tomar as próprias decisões. Dai o mote inicial de “Michael”. Que segue com a genialidade musical do biografado. Os primeiros passos da sua estreia solo com “Off The Wall (1979)” sob a tutela do produtor Quincy Jones (Kendrick Sampson).
O revival é o grande trunfo do filme. As gravações do hit “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”. Mesclado com o mítico clipe gravado por Michael. Aqui a reprodução é perfeita. Assim como as primeiras ideias do que se tornaria o “álbum mais vendido de todos os tempos”, “Thriller (1982)”. Os rascunhos de “Beat It”, Michael une gangues rivais de Los Angeles. Para o que seria o marcante videoclip com seus passos de dança antológicos. Com direito a solo do guitar hero Eddie Van Halen, ouvido em alto e bom som. Os bastidores do videoclipe para “Thriller”. Michael conversa com o assistente, passando sugestões de como a câmera deve pegar o momento em que ele se transforma num zumbi. E a coreografia que entrou para a história. Jaafar vai além de reproduzir os passos do tio, ele é “Michael”.
Exibe sua fragilidade emocional. Sentindo nos animais (chipanzé, cobra e girafa), a amizade verdadeira que nunca teve, e o trabalho humanitário. Visitando crianças internadas em hospitais. Além da mãe, a figura de Bill é o melhor amigo, conselheiro e de certo modo, o pai que Joseph nunca foi. Colman é eleito o vilão da vez. A violência física e psicológica impostas por ele estão lá. O filme traz à tona o acidente que queimou seu couro cabeludo e lhe causou uma dor continua. Explicando o vício em remédios. Outro grande momento é a apresentação de Michael no aniversario de 25 anos da Motown. Ao som de “Billie Jean”, ela é reproduzida nos mínimos detalhes e o ato final com o show em Wembley (Londres) ao som de “Bad” e a frase “A História Continua”. Deixando os fãs como o gostinho de “Quero Mais”. “Michael” deixa as polemicas de lado, para nos mostrar a importância do legado deixado pelo Rei do Pop.

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