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O Documentário "PAUL McCARTNEY: MAN ON THE RUN"

Nos últimos anos, o catalogo dos quatro rapazes de Liverpool tem sido aberto. Desde a remasterização da sua icônica discografia, adicionando material inédito. Passando por documentários que revelam os bastidores nos estúdios e a relação de John, Paul, George e Ringo em seus respectivos cotidianos. Exemplificado com “Get Back (2022)”, “Beatles’64 (2024)”, a restauração do documentário “Let It Be (1970)” e o seriado que nos trouxe uma ideia de como eles trabalham e conviviam, “Anthology”. Lançado originalmente em 1995 e ao celebrar seus 30 anos, uma nova versão ampliada foi disponibilizado no Disney+. Agora chegou a vez do bom e velho Macca, ganhar um documentário para chamar de seu, “Paul McCartney: Man on the Run (2026)”. Dirigido por Morgan Neville, vencedor do Oscar de Melhor Documentário por “20 Feet From Stardom” em 2014. 

Ele traz a vida e a obra de Paul, logo após do fim dos Beatles. Com o próprio relatando como vivenciou este momento. Enquanto John vivia ao lado de Yoko e trazendo à tona, seu lado mais revolucionário. Exemplificado com o ato “Give Peace A Chance”, ao dar uma coletiva de imprensa direto da cama do seu quarto de hotel. Enquanto isso, se isolava de tudo e de todos com Linda, as filhas Heather e Mary no interior da Escócia. Rumores da sua morte rondavam os noticiários ao redor do globo. Daí surgiu a lenda urbana que ele morreu no auge da Beatlemana e um sósia foi contratado para ocupar seu lugar. Uma rede da TV britânica chegou a entrevistar seu irmão Michael McCartney. Ao ser questionar quando foi a última vez que o vi, brinca ao dizer que foi ao seu funeral. 

Até que surgem as primeiras imagens de Paul, vivendo como fazendeiro e pedindo para não ser incomodado. É assim que “Man on the Run”, Paul exibe suas dúvidas e inseguranças. Já que perdeu o que lhe estimulava musicalmente, os Beatles. Não sentia mais vontade de compor e tinha medo de não ser tão bom quanto imaginava. Por isso, apesar de imagens de arquivos, os Beatles só são citados. Já ele e Linda vivem pacificamente, tentando criar as filhas Mary e Heather. Esta ele assumiu sua paternidade. Ao mesmo tempo, começar do zero um novo grupo. Linda o impulsionou. Já que o tempo na fazenda, veio a inspiração para seu primeiro álbum solo, “McCartney (1970)”. E refletindo sobre a separação. Todos os culpavam, até os fãs mais ardorosos. 

Em determinado momento, ele mesmo acreditou nisso. Lembra quem anunciou que estava de saída, era John. Daí o início da ruptura da amizade de longa data, com farpas de ambos os lados. Aqui vemos isso, abertamente na canção de Lennon, “How Do You Sleep?”. Sua letra o crítica por ter apenas composto “Yesterday” e se surpreendido com a ótima recepção de “Sgt Peppers”. Aqui McCartney apenas responde: “Sim, eu durmo bem”. Com Linda grava “Ram (1971)” e a crítica massacra o casal. Já não tinha recebido bem seu primeiro disco solo. Duvidavam do seu talento, já que John lançou “Imagine (1970)”, George veio com o disco triplo “All Things Must Pass (1970)” e Ringo foi elogiado por “Beaucoups of Blues (1970)”. Apesar dos pesares, eles seguem em frente para formarem o Wings. Tendo ao seu lado, o musico Denny Laine. 

Que tocou com Moody Blues e já era um velho conhecido de Paul. Chamaram o batera Denny Seiwell, que tocou em “Ram”, e o guitarrista Henry McCullough, iniciando um circuito pelas universidades da Inglaterra. Um recomeço pequeno que trouxe seus frutos. Não faz uso da aura de ser um Beatle, apenas a nova banda de Paul McCartney. Levando consigo Linda como integrante, as filhas acompanham os pais. Dito por ele, como uma grande aventura em família. Apesar do sucesso com o público, a crítica continuava a duvidar de Paul. Até que surge “Band on the Run (1973)”, já sem McCullough e Seiwell, que resolveram sair por diferenças financeiras. O primeiro diz abertamente que McCartney ditava as regras e os consideravam como músicos contratados. 

Gravado em Lagos (Nigeria), o casal e Laine ao lado do engenheiro de som Geoff Emerick vivenciaram uma situação inusitada em estúdio.  Sem o mesmo aparato de Abbey Road, onde inclusive dividiam o espaço com uma fábrica de vinis local. Trouxeram a luz, aquele que é tido o melhor álbum dos Wings de Paul McCartney. Somado à sua antológica capa. Uma foto tirada por Clive Arrowsmith, a partir da ideia de Paul e a Hypnosis. Rendendo os primeiros shows em grandes arenas e turnês continuas. Deixando bem claro que Paul McCartney é um dos grandes compositores da sua geração. E superando a dor pelo fim do grupo que é considerado "O Maior de Todos os Tempos". Vemos a melhor fase dos Wings, nas palavras dele, com o jovem guitarrista Jimmy McCulloch e o batera Joe English.

“Man on the Run” é um retrato honesto e sincero sobre um artista que pode se confundir com você e eu. Sempre inquieto (palavras do irmão Michael) e o amor incondicional de Paul e Linda. Ele diz que é eternamente grato por ela ter feito parte da sua vida. No caso, a mais importante. Ratificado com o encontro com John, Yoko e o pequeno Sean em sua morada, o prédio Dakota na cidade de Nova York. Poucas semanas antes, do insensato assassinato de Lennon. Aqui a voz de Sean se faz presente, impressionado com Paul naquele momento. Se mostrava perdido e incomodado pelo ato. Mesmo assim, não deixou de atender a todos. Até a prisão no Japão em 1980, por porte de maconha é mencionada. E seu temor em ficar preso por muito tempo e longe da família.


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