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A Reflexão em "SONHOS DE TREM"

A vida como ela é, como bem diz o escritor Nelson Rodrigues. Em determinado momento, refletimos o que fizemos e o que faremos em seguida. E se faríamos algo para mudar que foi feito no passado. Essas idas e vindas, fazem parte do ser humano. As dúvidas e as certezas do legado que vamos deixar em vida. Quem seremos para nossos filhos, nossos netos e geração futura. Estes questionamentos caem bem nos filmes de Terrence Malick como “A Árvore da Vida (2011)” e “Uma Vida Oculta (2019)”. Assim chegamos à “Sonhos de Trem (Train Dreams, 2025)”. Baseado no conto homônimo (2011) de Denis Johnson.

Adaptado por Greg Kwedar e Clint Bentley, este último assume a cadeira de diretor. Aqui temos Joel Edgerton (o jovem tio Owen Lars da saga Star Wars) como Robert Garnier, um lenhador. Ele vai trabalhar pela ampliação das estradas de ferro e pontes nos EUA. Onde derruba arvores para a produção de material para ambas. É uma jornada solitária pelo país, contemplando belas paisagens. Intercaladas por lindos amanhecer e belos entardecer. Estamos no começo do século XX e Robert exibe toda sua solidão. Porem ele não se sente sozinho, já que a beleza natural das regiões em que explora e trabalha, o fazem se sentir completo. Mesmo quando tem a companhia de uma pessoa, eles não se dirigem uma palavra durante todo o expediente. O veterano Will Patton narra o conto.

Edgerton está simplesmente perfeito, numa atuação quase silenciosa. Sua perspectiva muda ao conhecer Gladys (Felicity Jones, a Jynn Erso de “Rogue One: Uma História Star Wars, 2016”). Eles constituem família com o nascimento da filha Kate. Decidem montar uma fazenda e Robert para se manter próximo, busca por trabalhos que não precise viajar por um longo período. Mas infelizmente a felicidade dura pouco. Ao retornar, descobre que a floresta próxima à fazenda, pegou fogo. Gladys e Kate são dadas como desaparecidas. Junto a isso, ele perde o amigo Arn Peeples. Feito pelo veterano William H. Macy. Um especialista de explosões, que veio a falecer ao cair sobre um galho quebrado.

Seu bom humor e sarcasmo o aproximaram de Robert. Apesar de ter conhecido outras pessoas, poucas deixaram uma lembrança. Aqui em poucos minutos, Macy rouba a cena. Trazendo uma leveza em meio ao cotidiano natural em seu entorno. E traz como reflexão, apesar de termos trabalhado e/ou conhecido várias pessoas, aqueles nos deixam uma marca são raríssimas. Seja um gestão ou uma fala. Bentley pega o discurso sobre a vida tem suas alegrias e suas tristezas. A jornada de um homem, comprometido a si próprio. Sem esperar que surjam oportunidades para ser feliz. Sentindo-se satisfeito com o pouco que possui.

Já que sua conexão com a natureza, o fazem se sentir bem consigo mesmo. O surgimento de Gladys, a filha Kate e o amigo verdadeiro Arn são benções em uma vida levada de acordo com suas crenças. Ele não espera que o destino se coloque no seu caminho. Seja a alegria, seja a tristeza. Somado a revolução industrial, com a natureza dando espaço pra o desmatamento desenfreado com a derrubada das arvores. Que são aproveitadas como recursos para a sobrevivência do homem. Daí surge o capitalismo que move o mundo até os dias de hoje. Onde o indivíduo se torna parte da engrenagem para aqueles enriquecerem e outros se mantem no limite da pobreza. Sem esquecer a nossa desconexão com a natureza selvagem.


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