Quando estreou em 2002, o filme baseado em fatos reais “Cidade de Deus” poucos imaginavam seu impacto, tanto em nossa terra brasilis quanto no exterior. Exibido no festival de Cannes daquele ano, a película arrebatou a todos por exibir uma realidade brasileira que muitos, é ignorada. Como é a vida nas favelas do Rio de Janeiro. Em especial na comunidade que dá título à película. Baseada no livro homônimo de Paulo Lins, lançado em 1997. Adaptado por Bráulio Mantovani com codireção de Katia Lund e direção de Fernando Meirelles, o filme conseguiu levar mais de três milhões de espectadores às salas de cinema país afora. Além de ser indicado ao Oscar em quatro categorias: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia.
Rendeu a minissérie “Cidade dos Homens” nos anos de 2002 a 2005 e uma segunda fase entre 2017 e 2018, baseada nos personagens Laranjinha (Uólace da Silva) e Acerola (Luís Cláudio Cunha). Os dois crescidos na Cidade de Deus, exibindo seus dilemas de adolescência e se seguiram a vida do crime local ou buscam uma saída honesta para si próprios. Agora em parceria com a HBO, a O2 de Fernando Meirelles nos traz a serie “Cidade de Deus: A Luta Não Para (2024)”. Contando com o que houve na favela onde vimos seu surgimento nos anos 60. e a entrada o tráfico de drogas e armas nos anos 70, e início dos 80. Testemunhado pelo então jovem fotografo Buscapé (Alexandre Rodrigues).
Passados 20 anos, ele agora é fotografo profissional que trabalha para um jornal carioca. Mesmo saído da Cidade de Deus, continua acompanhando seu cotidiano violento. Seja nos confrontos entre gangues locais, seja com a polícia indo até lá para levar ordem. Mas que na verdade, seus moradores são vítimas de ambos. Ora assassinos, ora ameaçados. Buscapé tem uma filha Leka (Luellem de Castro). Ela deseja alcançar o sucesso como MC. Os dois não possuem uma boa relação, que o pai abandonou a família para ir morar e trabalhar na zona sul carioca. Enquanto isso, seus amigos Berenice (Roberta Rodrigues), Cintia (Sabrina Rosa) e Barbantinho (Edson Oliveira) continuam a luta pelo bem-estar social da comunidade. Já a Cidade de Deus é comandada por Curió, com o veterano Marcos Palmeiras no papel.
Ela está pacificada, já que todos seus moradores se sentem seguros com sua administração. Porém é quebrada com a volta de Bradock, feito por Thiago Martins. Recém-saído da prisão, ele cobra de Curió a boca que tinha em seu comando antes de ser preso. Apesar do forte familiar entre ambos, a guerra se inicia. Com Bradock convence que Curió precisa sair para dar espaço a uma nova geração representada por ele. Deixando de lado o herdeiro natural, o filho de Curió, Geninho. Bradock se une a sua advogada Jerusa (Andrea Horta) para assumirem o controle da CDD. Ela esconde segredos que ele nem imagina. Daí o mote inicial de “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, focando na luta de seus moradores por uma moradia segura e digna em seis episódios.
Sem cobranças indevidas como pela agua, gás, internet e tv a cabo (antigamente era chamada “gatonet”). Contando com o retorno de parte do elenco do filme de 2002, tendo como fio condutor Buscapé. Que tem ao seu lado, a valente repórter Ligia (Eli Ferreira), descobrem que pessoas do alto escalão político fluminense estão envolvidas diretamente na guerra entre Curió e Bradock. Como o fornecimento de armas, facilitadas pelo próprio responsável pela segurança do Rio de Janeiro, o secretario Reginaldo (Kiko Marques). Este antes era conhecido como o policial corrupto Cabeção, que ascendeu politicamente. Contando com o auxílio do filho, o vereador Israel (Rafael Lozano), em suas armações para se manter relevante na política do RJ.
Sendo um retrato do que ocorre nas comunidades cariocas, exemplificado na Cidade de Deus. Desigualdade social, racismo e a política carioca se aproveitando do momento para apenas enriquecer com a guerra entre Bradock e Curió. Infelizmente temos vítimas dos dois lados. No caso, Barbantinho e Curió. Ao mesmo tempo, Buscapé tenta se entender com a filha. Já que ela se ressente com sua fuga e o modo como cobre as notícias na CDD. Diz que o pai tem um olhar de “branco” sobre o que ocorre na comunidade. Revisando os temas da película de 2002 e vendo como estão atuais.

Comentários
Postar um comentário