Nos
anos 90, a sétima arte passava por um momento em que surgiam novos cineastas
como os cultuados Quentin Tarantino com “Cãos de Aluguel (1992)” e o elogiadíssimo
“Pulp Fiction: Tempos de Violencia (1994)” e Robert Rodriguez com sua saga do
assassino sem nome em “El Mariachi (1992)”, “A Balada do Pistoleiro (1995)” e “Era
Uma Vez no México (2003)”.
Em meio
a eles, na terra da Rainha veio Danny
Boyle, do premiadíssimo musical “Quem Quer Ser Um Milionário (2008)”, pelo
qual ganhou o Oscar de Melhor Diretor daquele ano. Também conhecido pela
aventura “A Praia (1998)” e o apocalíptico “O Extermínio (2002)”. Mais
recentemente realizou a cinebiografia do empreendedor “Steve Jobs (2015)” estrelada
pelo mutante Michael Fassbender.
Antes
de se tornar o cineasta que é hoje, estreou na função no suspense independente “Cova
Rasa (1994)”. Seu próximo projeto seria ao lado do produtor Andrew MacDonald e o roteirista John Hodge, para juntos trazerem a
versão para o cinema do romance escrito por Irvine Welsh, “Trainspotting
(1993)”. No livro, temos um grupo de amigos que são viciados em drogas e
sobrevivem de pequenos golpes em Edimburgo (Escócia). São eles Mark Renton,
Spud, Simon "Sick Boy" e Begbie. Interpretados pelo cavaleiro jedi Ewan McGregor, Ewen Bremner,
Jonny Lee Miller e Robert Carlyle (o mr. Gold da serie de
TV “Once Upon A Time” desde 2011) respectivamente.
Boyle soube usar com maestria a adaptação
de Hodge. Acompanhando a jornada de
seus personagens. Que literalmente vão para o fundo do poço com o vicio em heroína
especialmente. A sequência em que Renton toma uma “picada” no braço ao som de “Perfect
Day” de Lou Reed. E “a viagem” rola em seus sentidos. Ou quando usa um supositório
para se drogar ainda mais e o perde na privada no “pior toalete da Escócia” nos
dizeres da película. São de uma poesia visual (no melhor sentido da palavra)
que chamam atenção até hoje.
Bem como
em uma edição ágil (trabalho excepcional de Masahiro Hirakubo) somos introduzidos
aos seus personagens no filme. Na sua abertura com “Lust for Life” do iguana
Iggy Pop, vemos Renton e Spud fugindo da policia. Logo em seguida, junto a
eles, Sick Boy e Bedgie em uma partida de futebol. Somada a personalidade de
cada um. Mark é um junkie consciente, sabe que está errado e precisa fazer algo para
mudar sua vida. Spud está satisfeito com sua condição de vida. Sick Boy se acha
o “esperto” e galã da turma. Já Begbie é o malandro que quer se dar bem como
criminoso e de gênio explosivo.
Danny soube exibir para o publico, a “viagem”
lisérgica no uso de drogas. Como dito acima, quando Mark está em cena. No segundo
ato, ele resolve se desintoxicar. Os momentos estressantes por quem passar por
isso. A abstinência e a secura na garganta. Ao mesmo tempo, vemos a sensação de
“bem estar” que a droga traz. Spud após usa-la e dormir na casa da namorada,
literalmente “caga” na cama sem perceber. E para fugir de lá, quer lavar a
roupa de cama. É pego pela família dela, que o convida para o café da manhã.
Você pode imaginar o resto.
A euforia
se mistura na tristeza. Na cena, em que o bebê de Lizzy, outra viciada da turma,
é encontro morto. Ela se esquece de alimenta-lo. Mais um motivo para tomar
outra “picada” ou cheirar pó. Boyle
traz um relato sobre o vicio em drogas, mas sem tomar partido. Deixando para o
espectador tirar suas próprias conclusões a respeito. Porém, no seu ato
final temos uma mensagem para aqueles que estão perdidos no vicio e querem sair dele
com “Born Slippy” junto ao discurso de Mark.
Escolha
uma vida.
Escolha
um emprego.
Escolha
uma carreira – escolha uma família.
Escolha
a porra de uma TV grande.
Escolha
uma máquina de lavar, carros, discman, abridor de latas eletrônico.
Escolha
uma boa saúde, baixo colesterol, plano de saúde dentária.
Escolha
parcelas fixas para pagar.
Escolha
uma casa – escolha seus amigos!
Escolha
roupas, acessórios.
Escolha
um terno feito do melhor tecido.
Escolha
o seu futuro.
Escolha
a vida


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