Todd Philips ganhou fama mundial com a trilogia “Se Beber, Não Case”. Até então tinha feito as comedias “Dias Incríveis (2003)” e “Um Parto de Viagem (2010)” mais a versão para o cinema do seriado setentista “Starsky & Hutch: Justiça em Dobro (2005)”. Agora em seu novo trabalho, “Cães de Guerra (War Dogs, 2016)”, investe num história baseada em fatos reais. Acrescida de seu humor que beira a situações fora do normal para qualquer ser humano. Lembrando o trio formado por Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e Alan (Zach Galifianakis) em suas tresloucadas aventuras em Las Vegas e em Bangkok.
Aqui temos o jovem David Packouz (Miles Teller, o Reed Richards do novo e velho Quarteto Fantástico), que mora e trabalha em Miami como massagista. Demonstra sua insatisfação ao ver seus clientes vivendo do bom e do melhor na cidade. Enquanto ele tem uma vida miserável ao lado da mulher Iz (Ana de Armas). Uma mulher sensível e solidaria a ele, juntos tem um filho. Daí ele decide dar uma virada na própria vida. Encontra-se acidentalmente com o amigo de infância Efraim (o anjo da lei Jonah Hill). Descobre que Efraim se deu bem na vida. Tornou-se mercador de armas que possui contatos no governo dos EUA e que lhe propõe uma parceria nos negócios. David parte de peito aberto na empreitada e descobre um meio de enriquecer rapidamente.
Para conseguir a vida que imaginava para si e sua família. Aos poucos, David vai percebendo que o glamour e a ostentação de tanta riqueza têm seu preço. E custa muito caro para sair deste mundo. É o que vemos em determinado momento do filme, onde ele tem que explicar a um grupo de albaneses em meio à fronteira, como se meteu nessa encrenca e numa narração em off, como pretende sair dessa. Trazendo na memoria “Os Bons Companheiros” e “Cassino” do mestre Martin Scorsese. Que também são usados por Philips como referencia em “Cães de Guerra”. O artigo “Arms and the Dudes” de Guy Lawson da revista norte-americana Rolling Stone é a base do roteiro escrito por Philips ao lado de Stephen Chin & Jason Smilovic. Alusões a “O Lobo de Wall Street” são usadas em especial nos momentos descontraídas de Efraim.
Que levam David a
sentir o estado de graça ao usar doenças e bebidas ilícitas. Às vezes nos
sentimos como ele, onde a realidade e a fantasia se misturam. E não as
distinguimos. O filme conta com a participação especial do galã Bradley
Cooper como o temível traficante Henry Girard. Philips, em
seu conhecidíssimo humor sem noção, com “Cães de Guerra” lhe dá
munição para aprimorar seu lado dramático. Onde os dois se unem e proporcionam
as melhores cenas da película. Graças ao ótimo entrosamento da dupla formada
por Teller & Hill. Sendo o primeiro exibindo uma boa veia
cômica. Já Jonah vem se mostrando como um dos melhores atores
da sua geração. Saindo da sua zona de conforto (ex: a franquia Anjos da Lei) e
atuando em dramas como “O Homem que Mudou o Jogo (2011)”, “O
Lobo de Wall Street (2013)” e “A História Verdadeira (2015)”.
Sendo indicado pelos dois primeiros ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante dos
respectivos anos.

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