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Os TITÃS Voltam Às Raízes em "NHEENGATU"

Alardeado como a volta às origens de uma das maiores bandas do rock nacional dos anos 80, os paulistanos Titãs. “Nheengatu” tem sido considerado uma fusão do som de álbuns como “Cabeça Dinossauro (1986)” e “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987)”. Mas essa retomada para um som mais cru como nos velhos tempos tem uma explicação. A turnê comemorativa dos 25 anos do seu maior clássico e melhor (para muitos) álbum, “Cabeça Dinossauro”. Foi uma forte influência para isso acontecer. Que inclusive ganhou uma edição de aniversário com direito a disco bônus com as versões demos das canções e uma inédita chamada “Vai pra Rua”. O lançamento ocorreu em 2012 ao lado do disco ao vivo “Cabeça Dinossauro Ao Vivo 2012”. Junto a isso, tivemos a turnê “Futuras Instalações”. Que visava mesclar o repertorio clássico da banda com canções recém-compostas. Por exemplo, as que fazem parte do novo disco “Nheengatu”. 

Testando o potencial das mesmas junto ao público para possivelmente grava-las futuramente. Justificando o nome da turnê. O antes octeto, agora é um quarteto formado por Branco Mello (vocais & contrabaixo), Paulo Miklos (vocais, guitarra & saxofone), Sergio Britto (vocais, guitarra, contrabaixo & teclados) e Tony Belloto (guitarra solo). Eles continuam mantendo a chama titânica firme e forte. Com um álbum cheio de referências aos discos mencionados acima bem como “Õ Blesq Blom (1989)”, “Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991)”, “Titanomaquia (1993)” e “Domingo (1995)”. “Nheengatu” tem como tradução livre Língua Geral. É uma referência à língua artificial criada pelos jesuítas para facilitar o dialeto entre o povo indígena nativo do Brasil com os colonizadores portugueses. E como capa, temos a pintura “A Torre de Babel” de Pieter Bruegel. Que significa a ira de Deus contra os homens que resolveram criar seus próprios idiomas e não mais se entenderam. Agora vamos discutir as canções contidas em “Nheegatu”. Divirta-se!

FARDADO: Primeiro petardo, composta pela dupla Sergio Britto & Paulo Miklos. Remete diretamente ao hit “Polícia”. Onde o refrão Ô Fardado, Você também é explorado”, foi utilizado recentemente nas manifestações contra a Copa do Mundo no Brasil e por melhores salários dos professores da rede pública da cidade de São Paulo. MENSAGEIRO DA DESGRAÇA: Canção que fala sobre as manifestações ocorridas em São Paulo nos últimos tempos. Falando também a diferença de classes nas capitais do Brasil. Em especial, as regiões do Nordeste. 

REPÚBLICA DOS BANANAS: Parceira de Branco Mello com o cartunista Angeli, o palhaço Hugo Possolo e o guitarrista Emerson Villani (que já excursionou com os Titãs). Uma canção cheia de humor que brinca com as tragédias e situações constrangedoras de seus personagens fictícios. FALA, RENATA: Outra brincadeira musical. Onde as fãs com mesmo nome discutem seu valor. CADÁVER SOBRE CADÁVER: Parceria de Paulo Miklos com o ex-titã Arnaldo Antunes. Canção angustiante. Remete aos tempos de “Titanomaquia”. 

CANALHA: Canção do cult “maldito” Walter Franco. Subverte a original e a transforma num blues rock de primeira. PEDOFILIA: Sua letra forte discute este tema polemico de forma direta. Muito bem sacado seu formato, onde alterna os discursos de vitima e molestrador. CHEGADA AO BRASIL (TERRA À VISTA): Outra parceira de Branco Mello com o diretor teatral Aderbal Freire-Filho & Emerson Villani. Discute com muito sarcasmo sobre as origens de nossa terra brasilis.  EU ME SINTO BEM: Um ska. Para baixar o peso das guitarras e dos vocais guturais. Remete diretamente a “Go Back”. FLORES PRA ELA: Composta por Sergio Britto e o baterista Mario Fabre. Fala sobre como é se relacionar com o sexo oposto. Sombria e triste. NÃO PODE: O retorno definitivo dos Titãs ao rock em seu estado puro. SENHOR: Composta por Tony Belloto

É quase uma oração punk rock. BAIÃO DE DOIS: A diversidade musical proposta pelo grupo se mostra nesta canção com letra direta e cheia de humor. QUEM SÃO OS ANIMAIS: Encerrando com chave de ouro, rock direto que fala sobre intolerância social, sexual e racial. “Te chamam de veado e vivem no passado, Te chamam de macaco e inventam seu pecado”. O saldo final é positivo. Com “Nheengatu”, os Titãs mostrando que ainda tem muita lenha para queimar. Mesmo com a saída de Charles Gavin em 2009, após o lançamento do bom “Sacos Plásticos”. Onde temos Mario Fabre o substituindo à altura nas baquetas. E com esta nova formação fortalecendo a banda musicalmente. Para ouvir o álbum completo, entre no link oficial: https://www.youtube.com/watch?v=vt62Nc1hr2Q&list=PLiTi2JREVP5Ya1HmaQNevRS1ensdDuJZk 


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