Uma das obras mais celebres da literatura mundial, o romance “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Bronte. Escrito originalmente em 1847, o conto traz a paixão avassaladora entre Heathcliff e Catherine Earnshaw. Os dois se conhecem na infância e criaram uma conexão muito forte. Ele e o pai trabalham para a família de Catherine. A relação sofre uma virada quando a jovem é oferecida para um casamento arranjado. Fazendo que Heathcliff sumir da vista de todos. Passados alguns anos, ele retorna como um homem de posses e adquire a propriedade do pai de Catherine. Todo um plano muito arquitetado por Heathcliff para se vingar de seus algozes. Até de Catherine, que foi convencido que ela não o amava como antes. Assim temos o mote inicial deste clássico da literatura mundial. Sendo adaptado tanto para o cinema quanto para a televisão.
Em 1939 tivemos a versão dirigida por William Wyler e estrelado pela lenda do cinema, sir Laurence Olivier. Em 1992 tivemos a versão com o jovem Ralph Fiennes (antes de se tornar Aquele Que Não Pode Ser Nomeado na saga Harry Potter) e a futura musa do cinema francês Juliette Binoche. Já nos anos 2000, a minissérie (2009) com Tom Hardy e Charlotte Riley. Com isso dito, temos a nova versão adaptada e dirigida por Emerald Fennell (Oscar de Melhor Roteiro Original por “Bela Vingança, 2020”). Seu olhar diferenciado e perspicácia trouxe um frescor à sétima arte. A visão feminina de um modo mais visceral e cheia de atitude. A barbie Margot Robbie assume o papel de Catherine e o Frankenstein Jacob Elordi é Heathcliff. Fennell deixa o tom da trama focado no sofrimento do casal que se ama intensamente, desde a infância.
Com o destino sempre se pondo no caminho deles. Não ficam juntos e infelizes dentro de si. O afastamento só piora e mais fragilizada, Cathy sente que pode ama-lo. Já que ele retornou, se tornou um homem de posses, adquirindo a propriedade que era do pai dela. Cathy se casou com Edgar Linton (Shazad Latif) e Heathcliff viajou pelo mundo. A união dela lhe proporcionou riqueza. Vivendo do bom e o melhor ao lado de Edgar e se tornando a melhor amiga da irmã dele, Isabella (Alison Oliver). Um ar de inocência que esconde perfeitamente sua verdadeira persona. Já o pai dele, lord Earnshaw (Martin Clunes), perdeu toda sua fortuna no vicio em jogatina.
Vivendo às custas de Edgar e exibindo os dois lados da nobreza local. A vida suntuosa de Edgar e Cathy contrasta com as ruinas da moradia de Earnshaw. Antes disso, vivenciamos com ela e Heathcliff se aproximaram. Adotado pelo lorde, ele se torna o brinquedo de estimação da menina. Aqui vividos por Owen Cooper (da minissérie “Adolescência, 2025”) e Charlotte Mellington respectivamente. São vigiados de perto por Nelly. Aqui feita por Vy Nguyen na adolescência e Hong Chau (“A Baleia, 2022”) já adulta. Esta se torna o olhar do espectador para acompanharmos as idas e vindas do casal. Que se apaixonam quando crianças e na vida adulta, não consumam a relação.
Robbie está excelente como a menina mimada, cheia de marra. Ao mesmo tempo, manipuladora. Que faz uso da sua beleza e carisma para encantar a todos. Já Elordi é o Homem Bruto (como é chamado por Cathy nos 136 minutos da película). Que não sabe ler e escrever, mas tem a perspicácia para ver quem sua amada é. Ao mesmo tempo, se aproveitar de Isabella. Ciente que ela não tão santa quanto aparenta ser. A trama criada por Fennell tem como base o texto de Bronte, nos proporcionando sua visão sobre a obra. A opulência da mansão de Linton contrasta com as ruinas do castelo de Earnshaw. Além do jogo de intrigas entre os envolvidos. Com Nelly alimentando a discórdia.
Tendo ao fundo, o excelente trabalho da designer Suzie Davies e a equipe da direção de arte liderada por Caroline Barclay. Um embate entre as cores quentes e frias, representada pelo vermelho na residência Lunton. Somada aos tons pasteis da direção de fotografia de Linus Sandgren e o figurnino criada por Jacqueline Durran. Os vestidos usados por Margot são de encher os olhos e a sobriedade do vestuário masculino com Jacob. O destaque fica para a atuação de Owen. Como o jovem que sofre os piores tipo de abuso (em especial, psicológico), para exibir seu amor incondicional a Cathy.

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