Desde que foi anunciado, o drama “Marty Supreme (2025)”, estrelado por Timmothé Chalamet, tem gerado certa expectativa. Em especial, pelo empenho do jovem ator nas entrevistas. Isso foi exemplificado na CCXP 2025 na cidade de São Paulo, no painel do filme. Com a presença do próprio e o diretor Josh Safdie, a interação com o público foi intensa. Já que Chalamet estava entusiasmado ao extremo. Que inclui um conjunto de moletom com as cores da nossa bandeira. Passado o momento, a película acaba de estrear nas melhores salas de cinema de sua cidade. Baseado na história do jogador de tênis de mesa Marty Reisman, que entre os anos de 1958 e 1960, se tornou um dos grandes jogadores da época.
Ganhando vários campeonatos. Timmothé faz seu alter ego Marty Mauser, um jovem entusiasta que busca realizar seu sonho. Ser o maior jogador de tênis de mesa de todos os tempos. Não se importando com os obstáculos à sua frente. Literalmente passando por cima, de tudo e de todos. Em meio a isso temos sua amiga de infância Rachel Mizler (Odessa A’zion). Ela é casada e os dois já adultos, mantem um relacionamento amoroso. Trabalhando na sapataria do tio Murray Norkin (Larry “Ratso” Sloman), para se manter financeiramente. Além dos custos para conseguir jogar nos campeonatos locais e fora do país. E ainda deseja que ele o patrocine. Já que com o amigo Dion (Luke Manley) produz uma bola de ping pong personalizada. Ele fica reticente a respeito, já que não acredita no potencial do sobrinho. Este parte ao próximo torneio, em Londres.
Enquanto isso, descobre que Rachel está esperando um filho dele. Na capital britânica, insatisfeito com as acomodações dos jogadores, se muda por conta própria ao Ritz Hotel. Lá troca olhares com a atriz Kay Stone (marcando o retorno de Gwyneth Paltrow à tela grande do cinema). Ela se aposentou e vivendo como socialite. Casada com o empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary). Perspicaz, Marty quer “matar dois coelhos numa cajadada só”. Seduzir uma celebridade e ter patrocínio para sua empreitada esportiva. De volta ao torneio, ele vence os adversários com certa facilidade. Incluindo o amigo e manager Bela Kletzi (Géza Röhrig). Um sobrevivente do Holocausto que uma boa história para contar. Martin chega às finais e disputa o título com o japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi).
Numa partida eletrizante, ele perde o campeonato. Mesmo assim, vai conversar com Rockwell, que tem uma proposta. Fazer uma turnê ao lado de Endo na terra do sol nascente, até o início do torneio local. Só que com um pequeno detalhe: ele deve perder todas as partidas. Marty se sente ofendido, recusando a oferta. Faz que pratique pequenos golpes para conseguir o dinheiro para ir ao Japão. Para ter sua revanche contra Endo. Contando com a ajuda do amigo Wally, a estreia do rapper Tyler The Creator na sétima arte. Aqui assume seu nome verdadeiro, Tyler Okonma. Eles se envolvem numa confusão que é acrescida com a presença do cão do velho mafioso Ezra Mishkin, com o cineasta underground Abel Ferrara no papel. Uma história a parte que pode ou não ajudar Marty e Rachel.
Entre idas e vindas, temos o mote de “Marty Supreme”. Com Josh trabalhando pela primeira vez sem o irmão Benny. Os dois se destacaram com “Bom Comportamento (2017)” e “Joias Brutas (2019)”. Após ler a autobiografia de Reisman, “The Money Player (1974)”, um presente da esposa Sara Rossein. Resolveu adapta-la ao lado de Ronald Bronstein. A dupla nos traz toda malandragem do personagem vivido por Chalamet. De raciocínio rápido, inteligente e empreendedor. Ciente disso, não se faz de rogado para atingir seus objetivos. Mesmo estando errado, não dá o braço a torcer. É literalmente um trator e nos momentos que precisa se rebaixar, faz ao seu modo. Para que a humilhação doa menos dentro de si. O jovem ator entrou de corpo e alma no papel. Uma atuação visceral de uma pessoa que se coloca a frente. Não se importando com os sentimentos de pessoas próximas. Exemplificado em Rachel.
Gravida do seu filho, Marty só quer jogar mais uma vez contra Endo. Uma grata surpresa é Kevin O’Leary. Empresário na vida real e apresentador do programa Shark Tank nos EUA, caindo como uma luva no papel. Outro ponto que chama atenção é sua descendência judia. Aqui há certo sarcasmo com a religião e o antissemitismo vivenciado por Marty. Além da ótima reconstituição de época (figurino e direção de arte), estamos em plenos anos 50. Tanto em Nova York quanto em Londres e no Japão. Acompanhando a jornada frenética de Marty, temos o melhor da música dos anos 80. Logo na abertura “Changes” dos Tears For Fears e “Forever Young” do Alphaville, pontuando seus 150 minutos de duração. Para a cena final temos “Everybody Wants To Rule The World” dos TFF. Sendo uma espécie de tema musical para os ideais de Marty. Simultaneamente, sua redenção ao assumir a criança que teve com Rachel.

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