William Shakespeare é um
maior dramaturgo de todos os tempos. Suas peças são atemporais, mesmo nascido
no século XIV. Há poucos registros sobre sua vida pessoal, apesar dos três
filhos que levam seu sobrenome. Sua esposa Anne, não se sabe exatamente seu nome,
praticamente não há dados. Muitos discutem que seu nome pode ser Agnes. Com esse
ponto de partida, a escritora irlandesa Maggie
O’Farrell nos trazer o conto “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”. Com o que tinha em mãos, se tornou um
best-seller. Sam Mendes, que realizou o filme de guerra “1917 (2019)”, leu e se
encantou. Levando um exemplar para o mago Steven Spielberg, que também ficou
fascinado. Daí um salto para ganhar sua
versão para o cinema. Sendo adaptado pela própria autora ao lado de Chloé Zhao. Que levou para o casa, o
Oscar de Melhor Diretor pelo road movie “Nomadland
(2020)”. Além do filosofo “Eternos
(2021)” do Universo Cinematográfico Marvel. E assumindo a cadeira de diretora
inclusive.
Juntas, temos o casal Agnes e William, interpretados por Jessie Buckley (“A Filha Perdida, 2021”) e Paul Mescal (“Gladiador II, 2024”) respectivamente. Eles vivem no interior inglês, a primeira é considerada filha de uma bruxa. Por seus conhecimentos em ervas e plantas. Passados pela mãe, seguindo a tradição entre as mulheres da família. Já o segundo se sustenta como tutor dos irmãos dela. Já que está pagando a dívida do pai com a família Hathaway. Ao mesmo tempo, trabalha com o pai na confecção de roupas. Ele a vê à distância, com um falcão no braço. Vai ao seu encontro e os dois trocam olhares. Ele descobre através da sua mãe Mary (Emily Watson, a Valya Harkonnen da série “Duna: Profecia, desde 2024”), que Agnes vive mais na floresta do que na própria casa. Lá conversam, ela pede para William contar uma história. Daí vemos sua chama criativa vir à tona com o conto romântico Orfeu e Eurídice.
Um amor verdadeiro fadado à tragédia. Agnes se imagina como a personagem e daí surge a paixão avassaladora com William. Ratificada com o nascimento da primeira filha, Susanna (Bodhi Rae Breathnach). Apesar de ama-las incondicionalmente, William se sente preso. Agnes percebendo isso, pede ao irmão Bartholemew (Joe Alwyn) falar com o pai de seu esposo para ele amplie os negócios da família. Indo para Londres, lá ele vai se sentir mais livre para realizar seus sonhos. No caso, o renomado autor de peças que bem conhecemos. Antes de partir, Agnes está gravida novamente. Só que ele está fora, se tornando um autor de sucesso. Já ela está em trabalho departo com uma parteira e Mary. Ela tem gêmeos, Hamnet e Judith. A segunda nasceu natimorto, Agnes ao pega-la no colo, lhe faz uma massagem no peito. Soltando um sopro de vida e lhe prometendo, fazer de tudo para mantê-la em vida.
Crescidos são feitos por Jacob Nupe e Olivia Lynes respectivamente. Eles vivem como uma família feliz em sua plenitude. William, vem de tempos em tempos, para revê-los. Ele conseguiu realizar seu sonho em Londres. Planejando se mudar para uma casa maior em Stratford, só que todos juntos. Serido mais próxima da capital britânico. Só que não esperavam que a “Praga” chegasse até eles. Judith contraia a doença, faz com Agnes usa todo seu conhecimento para cura-la. Porém sem sucesso, Hamnet vai até a cama de Judith. Suplica para que a Morte, ele troque de lugar com a irmã. Na manhã seguinte, ela melhora repentinamente. Já o pequeno falece nos braços da mãe. O luto chega e Will não consegue se despedir do filho apropriadamente. Pois estava a caminho e o amor de outrora, dá lugar ao amargor e a desavença entre Agnes e Will. Daí o mote inicial de “Hamnet”. Zhao entra com sensibilidade no tema “luto”.
Cada um o vivenciando ao seu modo. Buckley exibe toda a intensidade da sua personagem. Mesmo sem maiores referencias da sua existência. Ela entrou de corpo e alma no papel, nos brindou com uma atuação eloquente e marcante. Uma mulher plena, convicta e amorosa. Ciente dos seus dons e tenta repassa-los aos filhos. Ela transparece dor, medo, alegria e desalento de uma forma tão autentica. Fazendo nos sentir da mesma forma. Mescal traz uma humanidade à Shakespeare. Seu talento reprimido até conseguir expressar sua arte. A morte do filho traz seu melhor momento. Transmitir toda dor pela perda durante a peça.
Onde interpreta o pai assassinado do personagem Hamlet, este feito por Noah Lupe (sim, ele é irmão de Jacob. Visto anteriormente na franquia “Um Lugar Silencioso”). A mitológica fala “Ser ou não ser? Eis A Questão!” ganha um novo contexto. Percebe-se que há um paradoxo, que vão além do parentesco. Também é um meio para que William e Agnes aparem arrestas, voltarem a se amar como antes. Uma boa sacada de Chloé, o sobrenome Shakespeare só mencionado no ato final da película. Há a ciência de todos de quem ele é, mas isso não é explicitado em 126 minutos de duração.

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