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BRUCE DICKINSON, "UMA AUTOBIOGRAFIA: PARA QUE SERVE ESSE BOTÃO?"

Na noite do último sábado (15 de abril de 2023), o icônico vocalista da Donzela de Ferro Bruce Dickinson participou do show que presta tributo ao imortal tecladista do Deep Purple Jon Lord. Que reproduz na íntegra “Concert for a Group and a Orchestra (1969)”. Uma peça sinfônica composta por Lord, onde o DP tocou acompanhando por uma orquestra. Na época, a Royal Philharmonic Orchestra de Londres. Agora foi a vez da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, regida pelo maestro Paul Mann. O destaque ficou para sua performance no clássico DP “Perfect Strangers” e o hit da sua carreira solo, “Tears of the Dragon”. Com isso dito, vamos comentar sua autobiografia “Para Que Serve Este Botão”.

Lançado em março de 2018, Bruce fala abertamente da sua vida antes, durante, depois de sair e voltar na maior banda de Heavy Metal de todos os tempos, o Iron Maiden. Como bom britânico, Dickinson traz à tona sua infância difícil, a convivência com os pais que o tiveram muito cedo e por isso foi criado pelos avós. A vida escolar em um internato, onde sofria bullying constantemente. Nos traz esses assuntos de forma clara e objetiva, sem grandes revelações. A música de tornou uma paixão na juventude, uma forma de fugir da dura realidade que vivia. O humor inglês está presente, ele faz isso com maestria. Como se estivéssemos em seus shows. Seja com o Iron, seja sozinho. Pois como você sabe, Bruce interage muito com o público. Comentando sua vida musical como vocalista do Samson, onde era conhecido Bruce The Bruce. 

E sua entrada no IM para substituir Paul Di’Anno. Daí temos boas histórias. Fã incondicional do DP em especial a fase com Ian Gillan, sua grande influência. Quando estava na faculdade, organizava os eventos. Assim conseguiu os contatos com o empresário de Gillan e tentava constantemente um modo de se encontrar seu ídolo. Já no Samson, abriu seus shows em carreira solo. A impressão deixada não foi boa. Ao ouvi-lo, Dickinson percebeu que Ian estava cantando mal e se rastejando pelo palco. Outra ocasião foi quando gravava o segundo disco do Samson no estúdio de propriedade de Gillan. Após ouvir alguns takes, ele o elogiou dizendo: Vocal bacana. Ótimos gritos”. De repente Bruce sai correndo até o banheiro para vomitar. A emoção veio com o elogio. Na verdade não. 

Após fumar um baseado e quatro canetas de cerveja num pub próximo, que não lhe caíram bem. Desde então quando se encontram, o ocorrido se tornou uma piada entre os dois. Já no IM, temos um capítulo dedicado a primeira vinda do grupo ao Brasil no Rock in Rio em 1985. Comenta o entusiasmo e o frenesi dos fãs, ao mesmo tempo, por tocar em um continente que nunca esteve. Somado aos problemas técnicos enfrentados durante a apresentação. Comentou: “Na chegada ao Rio, nossas roupas quase foram rasgadas por fãs histéricos. Fomos perseguidos a caminho do hotel na praia de Copacabana, e o prédio era cercado 24 horas por dia por centenas de tietes”.

Sobre o som, discutiu com o técnico de mesa e assim descobrimos como ele feriu a cabeça, durante a apresentação. Num momento de raiva, a acertou com a guitarra: “Ajeita a porra desse som, não fica parado aí feito um peixinho dourado. Ajeita isso!”. E afirmando que a plateia com mais de 300 mil pessoas foi a maior da sua carreira. Ao final do stress foi curtir a praia carioca, ao lado do guitar hero do Queen Brian May. Ao mesmo tempo, fala sobre sua paixão pela aviação. Trazendo nos mínimos detalhes sobre os voos. As especificações técnicas das aeronaves, os testes para tirar o Brevê como piloto.

O capitulo, “Foda-se Câncer”, chama atenção. Quando foi diagnosticado com um tumor cancerígeno no pescoço e na cabeça em dezembro de 2014. Resultado de um HPV. Isso ocorreu ao final das gravações de “The Book of Souls”: “Eu permanecia por seis horas no hospital com uma sonda. Depois, tomava um coquetel de remédios para não vomitar e por último uma cisplatina em si. Ficava doidão”. Foi uma luta que durou oito meses com sessões de radiação por 45 dias. Perdeu nove quilos, não se abateu e manteve a resiliência. Confiou na medicina e se curou da doença, antes do esperado. Isso mostra como a força de vontade e do pensamento realmente movem montanhas. Durante os intervalos das turnês com o IM, Bruce faz palestras. Como a que teremos na primeira edição do “Summer Breeze Festival” que ocorre nos dias 29 e 30 de abril na cidade de São Paulo.

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