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As 72 Estações do METALLICA

Desde “Hardwired ... To Self-Destruct” de 2016, o Metallica não lançava material autoral. Em meio a isso, uma turnê mundial contínua com direito a passagem em nossa terra brasilis no ano passado com shows lotados em São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Já em 2019, como você já está cansado de saber, tivemos a pandemia da Covid 19. Que literalmente parou o mundo por quase três anos. Com a vacinação de todos no globo terrestre, a doença foi controlada e hoje já é mais bem administrada. Aproveitando isso, o conjunto se trancou no estúdio para gravar um novo álbum. Em novembro de 2022, o anuncio oficial do primeiro single, “Lux AEterna”, e o álbum “72 Seasons” para abril de 2023.


Durante esse período, as idas e vindas de James Hetfield (vocais e guitarra) a clinica de reabilitação para curar o vicio em álcool. E mais tarde sua separação de Francesca Tomasi, com quem estava casado há mais de 25 anos e teve três filhos. Passado tudo isso, ao lado de Lars Ulrich (bateria), Robert Trujillo (contrabaixo) e o guitar hero Kirk Hammett chegamos a “72 Seasons”. Sua temática é o tempo que uma pessoa atinge a maioridade. No caso, 18 anos. Com isso em mente, eles nos remetem a própria historia deles. Sua importância na cena Trash Metal, como uma das principais expoentes da mítica Bay Area de San Francisco (EUA) nos anos 80. Uma prova disso é a impactante sequencia na quarta temporada de “Stranger Things”. A banda evoluiu musicalmente e se consolidando.


Sendo uma das referencias do Trash Metal com o disco de estreia “Kill’Em All (1983)”, os seguintes “Ride The Lighting (1984)” e o clássico “Master of Puppets (1986)”. Levaram duvidas dos fãs com “... And Justice For All (1988)” e ganhando o mundo com o homônimo “Metallica (1991)”, que é conhecido mundialmente como Black Album. Depois se arriscaram com uma sonoridade mais voltada ao heavy metal anos 70 em “Load (1996)” e “Reload (1997)”. Além de adicionarem uma camada mais sinfônica com o projeto “S&M (1999)”. Ensaiaram uma volta às origens no polêmico “St. Anger” em 2003 e o elogiado “Death Magnetic” de 2008. Somada a uma parceria com o cool Lou Reed em “Lulu” de 2011. Que dividiu os fãs de ambos. Daí um salto para “Hardwired” e “72 Seasons”. Em seu decimo-segundo trabalho, eles trazem um balanço dos mais de 40 anos de carreira.

A faixa título abre os trabalhos com a pegada trash metal característica. Já “Shallow Follow” é bem cadenciada e o riff cortante de Hetfield já diz a que veio. A contagiante “Screaming Suicide” se encaixaria perfeitamente no Black Album. “Sleepwalk My Life Away”, o contrabaixo pulsante de Trujillo se faz presente. Cheia de groove e pesada na medida certa. You Must Burn!” é a canção-prima de “Sad But True”. A rápida “Lux AEterna” traz na memoria, “Fuel” de “Reload”. “Crown of Barbed Wire”, destaque para os riffs e solo inspiradíssimo de Kirk.

Chasing Light”, cadenciada e pesada. Já “If Darkness Had A Son” é sombria, mescla a sonoridade atual com a pegada do inicio de carreira. “Too Far Gone” e “Roll  of Mirrors”, canções com o som padrão Metallica atual. A épica “Inamorata” já se tornou uma tradição nos discos da banda. Uma canção longa (11 minutos), onde eles exercitam sua musicalidade. Trazendo a tona o trash metal que é sua marca registrada. Juntamente as variações rítmicas de Lars, Robert fazendo as marcações onde o groove e o peso, se entendem perfeitamente. 

Kirk comprovando sua versatilidade nas seis cordas da sua guitarra e James mostrando porque é a voz do Metallica, e exemplificando a ótima dinâmica na guitarra com Hammett. O saldo final pode dividir opiniões. Para aqueles que se tornaram fãs a partir de “Reload”, “72 Seasons” é um prato cheio. Pesado, rápido e melódico, com canções que ficaram marcadas na cabeça. Já para quem acompanha o Metallica desde os tempos da Bay Area, notará uma boa diferença. Apesar de ter experimentado novos sons após o falecimento do saudoso Cliff Burton (10.02.1962 – 27.09.1986) e mais tarde retomou o trash metal nos últimos álbuns. Muitos dirão que o grupo entrou na chamada “zona de conforto”. Com uma sonoridade que agrada a gregos e troianos. 


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