Adaptações
de romances literários sejam ficcionais ou não, de sucesso para a tela grande
do cinema não é novidade, nos últimos tempos. Mais recentemente temos em cartaz
“Inferno” com Tom Hanks, vindo da
serie literária de Dan Brown, “O Bebê de
Bridget Jones” de Helen Fielding e “O
Lar das Crianças Peculiares” de Ransom Riggs. Livros com uma abordagem mais
psicológica de seus personagens têm atraído o grande público. Um grande exemplo
é “A Garota Exemplar (2014)” de David
Fincher.
O
livro foi escrito e adaptado pela própria autora, Gillian Flynn. Onde vemos a
bela Amy desaparecer sem deixar vestígios e deixando seu marido Nick como
principal suspeito pelo seu sumiço. No decorrer da trama, percebe-se que nada é
realmente que aparenta ser. Amy some por vontade própria, após descobrir a
traição de Rick com uma mulher mais jovem. Em uma trama cheia de reviravoltas,
onde tanto a heroína quanto o vilão, invertem os papeis em um desfecho que
surpreendeu quem acompanhou sua história.
É
assim que chegamos “A Garota do Trem (The Girl on
the Train, 2016)”. Adaptado do romance de mesmo nome da autora Paula Hawkins, nascida no Zimbabwe. Sua
história gira em torno de três mulheres que possuem algo em comum. A primeira é
Rachel (Emily Blunt, “O Caçador & A Rainha do Gelo,
2016”), uma alcóolatra separada que assedia o ex-marido Tom (Justin Theroux, o Kevin Garvey da serie
de TV “The Leftlovers desde 2014”);
este se casou com Anna (Rebecca Ferguson,
“Missão Impossível: Nação Secreta,
2015”), com quem teve uma filha e moram na casa quando era casada. Ao lado de
Anna e Tom, temos a vizinha e sexy Megan (Haley
Bennett, “7 Homens & 1 Destino,
2016”).
Rachel
no caminho ao trabalho em Nova York passa de trem em frente à sua antiga
morada. E se recusa a ver o que perdeu. Um pouco antes, enxerga Anna na varada
da casa ao lado. Na sua visão, este é seu ideal de felicidade total. Pois a vê,
feliz ao lado do esposo Scott (Luke
Evans, “Drácula: A História Nunca
Contada, 2014”). Sua rotina diária é se embebedar para esquecer os
problemas. Até que um dia ela é alterada, quando vê Megan na varada de sua casa
com outro homem. Sai apressadamente
do trem e vai até a rua em que morava.
Mas devido ao vicio, sofre uma queda e
desmaia. Quando acorda, está na casa em que mora de favor da amiga Cathy (Laura Prepon da serie Netflix “Orange
is the New Black desde 2013”). Lá recebe a visita da Detetive Riley (Allison Janney do seriado televisivo “Mom
desde 2013”). Informando a ela sobre o desaparecimento de Megan e que foi vista
próxima do local. Rachel não se recorda do ocorrido, sua mente está confusa.
Amargurada
com a separação e alcoolizada, Rachel não sabe o que realmente aconteceu ou o
que fez naquele dia. Então resolve solucionar o sumiço de Megan por conta
própria. Aos trancos e barracos, se aproxima de Scott em busca de informações.
E descobre que Megan se consultava com o psicólogo Kamal Abdic (Édgar Ramírez, “Joy: O Nome do Sucesso, 2015”).
Como
num quebra-cabeça, Rachel tenta conectar suas peças como o que a levou a chegar
neste ponto em sua vida errante. Tentando entender o porquê da separação e seu
vicio com álcool. Assim temos a trama rocambolesca de “A Garota no Trem”. O diretor Tate
Taylor, do ótimo drama racial “Histórias
Cruzadas (2011)”, junto à roteirista Erin
Cressida Wilson (“Homens, Mulheres
& Filhos, 2014”), trazem um conto sobre abuso nas relações entre homens
e mulheres.
De acordo com a visão de suas protagonistas. No caso, Blunt, Ferguson e Bennett.
Destacando a primeira. Blunt interpreta Rachel como uma mulher infeliz com sua realidade. Seu vicio ao álcool e a fantasia criada que seu ideal de felicidade é quando vê Megan e Scott juntos.
Quando na verdade, é o
contrario. Megan vive uma relação em que se encolhe para não brigar e/ou
contrariar a visão de Scott, sobre seu ideal de uma família perfeita. Com
filhos, é claro. Algo que Megan não deseja para si. Megan (Bennett) deixa bem claro isso nas sessões com Abdic.
E sendo
determinante para o desfecho do ato final da película.Anna (Ferguson) é a síntese da mulher que teve uma criança recentemente. Não
trabalha mais, só vive em casa. Mas não para cuidar da filha, pois contratou
Megan como babá e auxilia-la nas tarefas domésticas. Praticamente dorme o dia
todo e faz ocasionalmente trabalhos comunitários.
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